ESPAÇO RESERVADO À APRESENTAÇÃO E DISCUSSÃO DOS EXERCÍCIOS REALIZADOS NO ÂMBITO DOS SEMINÁRIOS DE DESENHO E PERFORMATIVIDADE

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12.1.12

Natural Spaces

Numa época em que o fenómeno urbano alastrou, de tal modo que passou a conter o grosso da população, acabaram por se diluir perigosamente as referencias ao que era outrora a cidade, em articulação com um mundo rural bem mais vasto.
Propõem-se a experimentação do olhar sobre espaços que resultam do cruzamento e da sobreposição de uma ordem natural e de uma ordem artificial (humana). À alteração destes espaços adicionam-se a memória e sobrevivência, tendo a marca indelével da mão do homem que a domestica e que adequa o espaço que o envolve ás suas próprias necessidades.


video

11.1.12

Parque de S. Roque, Porto

http://vimeo.com/34860301
Experiência para o último projecto

8.1.12

Transferência acto - imagem

A minha performance intitula-se "1000 saltos no escuro", tendo sido realizada nas escada de acesso ao Museu da faculdade. Realizada num lugar passível de actividade física (subir escadas), realizei outro acto ligado ao mesmo tipo de actividade, neste caso, saltos como neste vídeo. O único registo apresentado como prova da performance consiste numa folha A2 onde os saltos foram realizados. Uma performance da qual não existem provas (nem testemunhos), a não ser o resultado final, que não revela qualquer sinal nem marcas de intervenção e manipulação sobre o material usado para registo. Tento criar uma ponta entre algo que não se tem a certeza se foi efectuado com o ter sido concretizado no escuro, onde não seria possível testemunhar esta mesma performance de qualquer das maneiras.  Existe no entanto uma cópia dessa folha onde se constata as marcas da performance e um registo sonoro que pode ou não ser a performance.


30.12.11

Transferência acto - imagem


Transferência acto – imagem

Propus para este trabalho espalhar pelo jardim da traseira do pavilhão sul um pedaço de tecido que de alguma forma quebrasse a isotopia do lugar insinuando-se por entre as árvores e chão contaminando este espaço. Interessou-me aqui o acto de espalhar um objecto estranho por aquele lugar, o acto físico de transportar um rolo de tecido desenrolá-lo,  deixando um rasto de tecido branco atrás de mim. O tecido em contacto com a terra e com a textura das árvores produz um confronto estranhamente apaziguador como se brevemente  entre eles  (paisagem e objecto) se estabelecesse qualquer acordo tácito. Embora não sejam  óbvios sistemas próprios da arquitectura, talvez possa aqui adaptar um diagrama próximo dos usados por   Bernard Tschumi usando os três campos principais : espaço onde se vai desenrolar a acção, movimento do corpo no espaço e evento.









29.12.11

invisibility



This performace, entitled Invisibility, took place in one of the faculty's classrooms. The objective of the action was to become invisible (as shown in the drawing above). The inspiration of the work derives from a wish to get out from unconfortable situations, dissapear, and is also connected with the feeling of being ignored, unnoticed or unable to become visible in a place/situation.
It is a complex action, very difficult to perform for which mental preparation takes one hour, however the very act of becoming invisible takes a fraction of second.
The archive material shows following phases of the performance, first the performer sitting in the class, and after some time (dedicated to achieve invisibility) the last moment when the performer is visible. The next snapshot shows the location with the invisible performer in front of us.
The act of becoming invisible requires getting detached from all the personal belongings.

19.12.11

Chamber works; Water Closet Music


 Seminario3 H1 by Vernaculisamentalisador 



 Seminario3 H2 by Vernaculisamentalisador 

O que realmente acontece? Acontece algo de facto, ou estamos perante um simulacro? Um simulacro é real? A realidade e o seu registo são verdadeiros? A verdade existe? Se uma árvore cair na Amazónia e não estiver ninguém por perto para o provar, existe som na queda da árvore?
Houve de facto som nesta acção? O som que se poderá ter havido, foi ou não executado pelo performer fotografado? O som que aqui se apresenta, é um registo ou um simulacro?


18.12.11

Sem escadas!

Tudo igual.
A mesma rotina de sempre. Fui e voltei.
Apenas neste dia, não utilizei escadas durante todo o meu percurso. Subi e desci utilizando as paredes, parapeitos e tetos.

Emergência?


O acto "transferência acto-imagem" foi realizado nas escadas de emergência do pavilhão sul da FBAUP.
Consiste numa subida paradoxal, lenta e demorada, aquando de uma situação de emergência.
Júlia Barros

Existe morto.




Este trabalho consiste na reconstituição de um crime através de uma reportagem de um jornal, contando com testemunhos de pessoas que frequentam o mesmo espaço.
Devido à gravidade do crime, o local encontra-se interdito para investigação policial, havendo poucas imagens disponíveis. Foi necessária a construção de imagens a partir da reconstituição do crime a partir dos testemunhos e boatos oficiosos, não se chegando a esclarecer qual o autor do disparo e qual é a vítima. Faltam peças na história, alguns elementos encontram-se suspensos dando espaço a boatos, como a identidade do criminoso coincidir com a da vítima. Um rumor calculado, contornado pela reportagem de um jornal. Um homicídio qualificado numa escola, um crime passional, uma vingança, um duelo? Existe morto.

Pesca

video

A pesca exige paciência. Normalmente no silêncio, na beira de um lago ou rio, a ação se desenvolve, tendo em vista a calmaria externa para não espantar os animais.
Na ação, pus-me a pescar luzes. Era noite, sobre o revaldo.
Mas, ao invés do silêncio havia ruído maquinal.
O contraste se fez existente em diversas formas.
A possibilidade de pescar as luzes dependerá da concentração do pescador.

17.12.11

O lotus nasce da lama

video



À questão "será a ação de meditar inusitada no espaço (arquitectónico?) contido entre o pedestal de uma estátua e um contentor do lixo do exterior dum pavilhão numa faculdade?", acresce a questão "será que, efetivamente, ocorreram tanto a ação de meditar de facto, como os outros três atos, inverosímeis mas também documentados - "levitar", "desaparecer e reaparecer" e "desaparecer para reaparecer noutro lugar (teletransportar-se)?"

Temos aqui alguns  níveis diferentes da perceção:

O nível - exterior à ação -  do espetador que é confrontado apenas com o documento e que não pode assegurar-se de que, para além das outras três, a própria ação de meditar naquele espaço tenha, de facto, ocorrido, de que tudo se tenha passado mesmo assim, de que apenas parte tenha ocorrido ou de que tudo não passe duma montagem e resta-lhe acreditar, ou não, no que afirma a autora.

O nível - exterior -  do espetador que foi testemunha da ação e que sabe que uma aparência de meditação ocorreu, de facto, naquele espaço e durante mais de uma hora, mas que, porque não permaneceu durante todo esse tempo naquele lugar, não pode assegurar-se de que, de facto, não tenham acontecido as três outras ações, e pode apenas partir do princípio que não, uma vez que contrariam a sua descrição daquilo que é possível acontecer nesta dimensão física cuja descrição empírica partilhamos; quanto a ter-se passado assim do ponto de vista percebido pela autora, resta-lhe acreditar ou não no que é afirmado.

O nível - exterior - do espetador que ajudou a documentar a ação e é o único que sabe que o documento que está a ser utilizado foi por si emitido e não continha documentos das outras três ações, que também não presenciou, mas que também não pode ter a certeza se essas ações se passaram ou não quando não estava lá para as documentar ou, ainda, se se passaram a um nível interior.

O nível - interior - da autora, que sabe se meditou ali e se, durante a hora em que permaneceu, de olhos fechados, o fez numa imobilidade nem sempre só física, se presenciou interiormente, através do som, das vibrações do terreno e das deslocações do ar, a passagem, permanência e impermanência de testemunhas exteriores, e que afirma ter presenciado também a ação de desaparecer, reaparecer e teletransportar-se, e que não pode ter a certeza se tudo não passou de uma percepção interior, orientada apenas por intenções seguidas da realidade percebida consequente, ou se de facto desapareceu, reapareceu e se teletransportou,  e que, inclusivamente, afirma que não pode ter a certeza se o dragão verde, de olhos raiados de sangue e narinas resfolegantes que por ali passou e bateu - "toc toc toc toc toc toc" com a pata no lado direito do cartão dobrado em que se sentava foi ou não apenas imaginação sua;  embora também possa partir do princípio de que tudo isso não aconteceu de forma fisicamente visível, já que também contraria a sua descrição daquilo que é possível acontecer nesta dimensão física cuja descrição empírica partilhamos.

A música pertence ao grupo alemão Elbtonalschlagwerk, é o tema nº7 do album Percussion works, "Uneven Souls".







UM ACTO DE SOBREVIVÊNCIA





Transferência acto-imagem

A acção consistiu numa teia cuidadosamente construída em função do espaço arquitectónico e da sua configuração rectilínia.

De facto, construi meticulosamente uma teia que se apoderou sucessivamente do espaço: fios de duas cores que se prendiam, atavam, colavam, enrolavam e desenrolavam, mas que seguiam a mesma direcção, paralelos entre si como se fossem à procura de algo, ou apenas procurassem o seu destino. A relação que mantêm entre si e a forma harmoniosa como se unem, leva-os a percorrer o mesmo caminho subindo e descendo, ultrapassando obstáculos ou criando-os.

À medida que as pessoas se deslocavam no espaço, subindo ou descendo as escadas estreitas do edifício, ou passando no pátio de umas salas para as outras, deparavam-se com vários obstáculos, conjunto de fios que trespassavam os degraus de forma despercebida mas, dificultando-lhes a passagem. Não tendo conhecimento do que se estava a passar, esta acção deixou-as um pouco confusas e perplexas.

Segui a ideia de Tschumi de que a conjunção entre os espaços (de movimento, no meu caso, articulando o espaço dos sentidos e o espaço da sociedade) e movimento (neste caso, das pessoas que os percorriam com os seus corpos, gerando e definindo eles próprios espaço através do seu movimento [v. fotografia]) é o que propicia o evento potencial.


Elisa Almeida

16.12.11

Transferência acto-imagem



O local selecionado para a realização da acção foi uma casa de banho da faculdade. Decidi neste espaço fazer uma leitura de um livro de banda desenhada enquanto aperciava uma bebida- os liquidos contidos na sanita.


A relação do corpo neste espaço é alterada, o corpo adopta outro lugar e establece uma diferente relação com o objecto sanita. A acção realizada e o tempo de duração da mesma também são alterados, tornando-o num espaço de lazer.


Esta sequência de imagens sugerenos as várias acções que se podem desenrolar neste espaço. Há referencias do espaço do arquitectura, da posição que o corpo ocupa e as acções que ele desenrola. É uma sequencia de transfromação onde há uma constante repetição e multiplicação das imagens que dá indicações do tempo e tenta establecer uma narrativa. As imagens relacionam-se através das marcas do corpo e dos objectos no espaço, e ao mesmo tempo um conflito pois estas acções contradizem-se à imagem que refere o local da acção.







15.12.11

biblioteca/castelo


A performance foi pensada como uma invasão ilegal e secreta do espaço. A ideia era fazer uma acção a que ninguém tivesse acesso alem de mim, e da qual houvessem apenas registros indirectos.Um dos motivos para não haver registros concretos é o fato de a acção ter sido feita a noite e sem luz devido a necessidade de não chamar atenção. O outro motivo foi o fato de que interessava a ideia de gerar duvidas a respeito de como ficou o trabalho final. Apresento aqui apenas os desenhos projectais como sugestão a imaginação e registro das ideias que levaram à acção.
O primeiro passo da acção foi conseguir ter acesso à chave da Biblioteca da FBAUP, que foi o espaço escolhido para minha acção.
O segundo passo foi esperar escondida até a hora de fechamento da FBAUP e entrar na Biblioteca.
O terceiro paso foi construir um castelo de livros no escuro e voltar a arrumá-los exactamente da mesma forma nas prateleiras, para isso utilizei um registro fotográfico extenso das prateleiras feita durante o dia. As únicas ferramentas eram uma lanterna pequena de LED e a camera para usar como parâmetro para rearrumar as prateleiras. Em nenhum momento acendi a luz com medo de ser descoberta. A acção encerrou-se no dia seguinte antes do horário de abertura e foi feita na terça dia 6 de Dezembro de 2011, das 22h as 6h aproximadamente.



14.12.11

Transferência Acto-Imagem




Instrução por Francisca Lopes Martins
Acto realizado por Mafalda Pessoa Jorge



Transferência Acto-Imagem









Instrução por Mafalda Pessoa Jorge
Acto realizado por Francisca Lopes Martins

13.12.11

Ilumina-me


"Olha para a lâmpada,
observe-a e absorve-lhe a luz com os olhos.
Agora ilumina-me."

9.12.11

Transferencia imagem-acto


















(fig.1)























"Duas interpretações do mesmo conjunto de instruções nunca são identicas."
Este frase de Hans Obrist em 'do it' foi o mote do meu trabalho. Frase que coopera na maioria das instruções de Yoko Ono, em que a utilização da ambiguidade e do imperativo coordenam a instrução.
A minha instrução (fig.1) incorpora estas ideias, mas procura brincar com a ideia de que o instruido possa modificar a construção racional de uma peça artistica, que ao ser executada e apresentada a realização da instrução num museu, apresentaria uma nova perspectiva da mesma exposição, um pouco como disse Hans Obrist em 'do it':
"Tornei-me mais e mais interessado na hipotetica e ludica noção da dispersão da exibição de arte muito além dos limites tradicionais."

7.12.11

Transferência-de-uso

experiências do massajar
auto-retrato
O massajar traz me recordações familiares e de tranquilidade. Os meus trabalhos incidiram nessa ação, movimentos convergentes dos dedos de modo lento e regular. Esta ação foi transferida para o papel com recurso a próteses em cada dedo, elásticos prendendo diferentes tipos de pontas de carvão consoante a especificidade de cada dedo. O primeiro desenho constitui a experiência da ação no papel. Entre cada uma das marcas produzidas poucas diferenças transparecem, mas vê se a incidência do polegar e do dedo médio na imagem por serem os de maior expressão e os que consequentemente tinham o carvão mais macio. O segundo desenho é um auto-retrato, realizado com a mesma técnica, utilizando a imagem do telemóvel como referencia. A representação procurou manter constante o mesmo ritmo lento e regular, que se podia exaltar por tentar representar o mais fielmente a imagem, e ter como escala de cor os dedos que melhor pudessem traduzir a relação de luz e sombra. A imagem resulta da rotação da mão nos locais de maior volume e sombra.

Cópia do copista
















Este exercício no segundo seminário consistiu num manual de instruções de caligrafia Romana, que assumiu a autoridade de colocar uma colega a fazer uma cópia, quase penitência como um monge copista num antigo scriptorium.
O registo deste acto consistiu num desenho da pessoa que se debruça sobre a folha de papel com o aparo na mão, as letras que desenha como as vê de frente e a forma como o observador/desenhador vê as letras.