27.6.18

Desenho como Instrução, Documento e Ato de Presença

Desenho como:
- Instrução
-Documento
- Ato de Presença


Duração total da ação 39m40s


Localização



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 Documentação da Ação Instruída























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Sobreposições 





Objeto resultante


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 Ato de presença - instrução








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Desenho resultante e apagamento








23.6.18

Trabalho Final






“Extasiado consigo mesmo, fica imóvel, incapaz de se mexer, 
(…)
Olha maravilhado para tudo o que o torna maravilhoso.
Sem saber, deseja-se a si próprio, e o elogiado é quem elogia;
E, ao desejar, é o desejado, e junto incendeia e arde de amor. 
Quantas vezes beijos vãos não deu àquela fonte enganadora! 
Quantas vezes não mergulhou os braços no meio das águas 
para abraçar o pescoço que vê, e não se abraçou a si mesmo!” 

(Ovídio, Metamorfoses,1556
Alberto, trad., 2007, p. 96)






    O exercício consistiu em pintar toda a minha superfície de negro, com o auxílio de um vidro circular,  por aproximadamente 60 minutos, usando unicamente as minhas mãos e tinta.
Desapareço, principalmente porque “eu” já não sou “eu”, porque aqui o “eu” personifica-se “narciso” e o corpo se camufla pelo negro, e por entre o negro.
    Como afirma G. M. Tavares, “tocar é também ser tocado”. A pele apresenta-se enquanto limite, do olhar e do tacto, o contentor da forma. É, do gesto de pintar, ao tocar toda a minha própria superfície que vou adquirindo uma nova consciência, da minha forma e dimensão. A tinta negra age como denuncia dessa mesma compreensão. Nessa medida, o acto de apontar mostra-se como o gesto primordial do dedo indicador, que se anuncia como minucioso e insistente. O reflexo é o próprio alimento da acção de me pintar. O corpo torna-se, também ele, objecto plástico, através da estranheza de uma nova pele.
    Procura-se uma alteração da consciência temporal através do gesto e do acumular da tinta que vai ganhando força perante a pele.
    Trata-se de uma sobreposição de negros. Nasce uma nova pele, uma velatura negra, que ainda assim, nos permite o acesso à camada inferior a esta.

    A acção encontra-se escondida à vista de todos. No final da acção o negro ocupa o espaço total da imagem. Foi um acto performativo privado, onde os registos videográficos e fotográficos ocuparam o espaço do espectador.



espaço envolvente


Bibliografia 
OVÍDIO. Metamorfoses. Tradução de Paulo Farmhouse Alberto. Ed. Livros Cotovia: Lisboa, Portugal, 2007

TAVARES, Gonçalo M. Atlas do corpo e da imaginação – Teoria, fragmentos e imagens. Lisboa: Caminho, 2013