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27.6.19

26.6.19

Trabalho Final | Felipe Rocio



PRESENÇA.
EM AMARELO.

Como de costume, tiro meus sapatos antes de entrar em casa.
Abaixo, alongo e desamarro meus calçados.
Revelam-me as meias. Amarelas. Suadas do longo dia.
Na entrada, um tapete. Amarelo. Macio. Feito em crochê, feito por mim. Um conforto para os pés.
Em um gesto de ciscar o chão, limpo os pés.
Passo pelos porta de fios. Amarelos.
Entro no cômodo, naquele cômodo que já conheço.
Tudo está tão amarelo. Tudo é tão amarelo.
O candeeiro envolto em fio. Amarelo. Acendo a luz. Amarela.
Vejo pela janela o que acontece lá fora. A vida passa. Imagino.
A Planta já sem vida, mostra-se pálida. Quando foi a última vez que a reguei?
A pedra continua ali. Tudo continua ali. O pano. Amarelo. Também.
Ando, ocupo, interajo e deixo a casa.
E o que deixo é apenas a presença de um corpo que ali esteve.





















22.6.19

Trabalho Final - Catarina Casais


Erário de Memórias
Trabalho Final

                É difícil falar sobre este trabalho como é difícil falar sobre uma memória nossa. Algo íntimo bom ou mau que faz parte de nós e por algum motivo nós não esquecemos.
                Erário de memórias é um tesouro feito de linho que guarda as memórias de um público. Além do que lá guarda ser tudo menos público. Entre conversas e relações formadas com o público, o desenho nasce como ato de presença e documentação feito a partir da transferência de um gesto de carinho. Este erário é um arquivo que pode não ter qualquer valor monetário mas é rico para quem faz parte dele.
                Os desenhos, os objectos e as fotografias que o compõem são o que ficou de algo que é difícil de falar mas bonito de se fazer. Uma troca de tesouros, uma troca de carinhos, um momento íntimo. O material utilizado na documentação são relacionados com o têxtil que nos remete a temporalidade desta ação. O tempo da memória, o tempo que ela é recordada o tempo do momento. O crochet materializa o tempo enquanto a lã materializa a fragilidade do público.
                Erário de memórias é feito a partir de partilha, uma pessoa que fala e outra que ouve enquanto faz crochet. Posteriormente existe uma troca, a memória é transformada em tesouro. É materializada a partir do bordado e da feltragem da lã que lentamente dá corpo a algo indizível e ilegível. Este trabalho é uma tentativa de libertação dos intervenientes de se confrontarem com as suas memórias mais difíceis tornando-as em algo precioso.
Fig. 1 Documentação do Espaço em que foi realizada a ação

Fig.2 Objetos usados durante o ato performativo





Fig.3 Relatos e Desenhos realizados durante a ação (Resultado da Performance)





Desenho como Ato de Presença / Seminário 5 - Catarina Casais





Sentir o Desenho
Workshop : Desenho como Ato de Presença


Fig. 1 Documentação da Performance


"Sentir o Desenho" surge como uma vontade de criar uma relação com o interveniente da ação, de modo a que o mesmo não veja o desenho a que participa mas o sinta.
O objetivo é que o performer desenhe a cara do público como se o acarinha-se, resultando num desenho de um rosto feito de dedadas que acarinhou a cara do público durante um espaço de tempo.
O tempo do público e o tempo do performer diferem, pois como um se encontra de olhos tapados a sua percepção do tempo é mais lenta. Assim sendo existe uma partilha de um momento contado em dois tempos, onde o desenho só existe graças a essa relação. A ação não decorre sem performer ou sem público, pois é a presença dos dois que faz o desenho. 


Fig. 2 Documentação da performance (Vista do performer)

 
Fig. 3 Resultado da Performance




21.6.19

Trabalho final, Joana R. Sá


-
BLIND
-













Desenho como Ato de Presença - Joana R. Sá


ERROS 

desenho realizado sem a mão dominante.










TRABALHO FINAL | Gonçalo Machado

X MARKS THE SPOT.

Neste trabalho pretendi explorar com maior profundidade a relação entre o desenho e o contexto performativo do desenho como instrução. O objetivo do trabalho foi então simular uma reação alérgica desencadeada pelo contacto com um animal, neste caso específico, um gato. Para simular essa reação o intuito foi provocar um sintoma específico e comummente associado a esse tipo de reações, o espirro.

Para isso forneço apenas uma instrução simples e direta: "Smell It". Esta instrução é um desafio feito ao observador, sendo este livre de executar ou não a instrução. O trabalho é realizado de forma a plantar falsas expectativas no observador em relação às consequências de executar a instrução, sendo surpreendido pela real consequência. Devido a esta expectativa de uma consequência negativa, é normal que o observador se recuse a executar a instrução, especialmente se não se encontrar sozinho com o trabalho.

Devido aos vários elementos que compõem visualmente o trabalho, o observador é, regra geral, induzido a pensar que executar a instrução levará à exposição a um odor desagradável. É neste momento que as expectativas do observador são subvertidas. Não existe um odor desagradável. Existe sim  uma exposição a pimenta o que desencadeia o objetivo da experiência: um espirro.