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3.2.23

DESENHO, INSTRUÇÃO E PERFORMANCE | Margarida Bezerra Bastos


Duas instruções, uma ação e um desenho, escritas por mim: 

Já pensaste que sempre que dás um passo deixas algo para trás? Será uma partícula, uma memória, um grão, um desejo, um lenço, uma tristeza? Um trilho é formado e um caminho forjado, deixa a tua memória no espaço físico. 


Eletrifica os teus sensores corporais, segue a seguinte partitura: 






Interpretadas por mim: 

1- Série de desenhos a realizar de olhos vendados criando uma narrativa: da entrada da fbaup até à sala de aula de desenho e performatividade. 


Um desenho de memória espacial com os olhos fechados! Quatro desenho, quatro versões do mesmo caminho? Ou serão diferentes? 



2 - Instrução para uma ação em casa: no espaço familiar agir durante 30 minutos como personagem principal de um espetáculo de circo. 

Palhaço

- Que dia chato! Estou farta desta vida.... só quero dormir....                                                                       As pessoas sempre me disseram para não ser palhaço, mas eu ouvi? NÃO! CLARO! 


    

25.1.23

Desenho, Instrução, Performance

1.

Seguem as instruções feitas por mim para outra pessoa. A primeira é para a realização da ação, a segunda do desenho.

i







Fiz a instrução para o efeito de uma ação que atuasse a partir das formas do acaso. Ou seja, que levasse a pessoa a refletir sobre a realidade tal qual se presentificava no momento determinado, aos olhos e ao espírito. 


ii
Na segunda instrução, tentei que o desenho pudesse não só representar o objeto, mas conseguisse trazer a antítese da sua materialidade e de todo comportamento físico. O desenho, ao designar a pedra, passa a funcionar como uma, atuando na própria leitura e configuração do gesto sobre o espaço. 


2.
Quanto à instrução que recebi, havia um só documento com dois passos. O desenho acabaria por ser um objeto que surge da sua manipulação, através do recorte de um círculo. Não obtendo muito mais informação, recebera uma anotação poética que dizia "murmúrio do vento", acompanhado de um desenho de duas mãos a friccionarem um lápis, onde espetaria o círculo ao centro, formando um "cata-vento".
Decidi, assim, representar tudo numa só ação gravada, em que recorto a forma, e onde o passo seguinte parte da descoberta sobre a forma posta em movimento. Decidi prestar atenção aos ritmos e ao som do vento, fazendo o objeto durar, no espaço do vídeo. 





frames do vídeo (18'25'')





22.1.23

Desenho, instrução e performance- Cláudia Campos

 

Desenho, instrução e performance

Cláudia Pinto Campos



 Penso na instrução como uma estrutura ou norma para realizarmos uma tarefa, ainda assim a interpretação é algo bastante singular, e o modo como é executada revela, também,  a singularidade de quem a executa. O poder da instrução não é inerente a esta, mas na "submissão" de quem a recebe.

Para este exercício recebi duas instruções escritas por outro colega (anónimo)

  1. (Instrução para realização de um desenho)
    A partir de uma folha branca e uma caneta preta, desenha um ponto.
    Agora tens a tua mosca.
    Colocando a caneta sobre a mosca, e sem a levantar do papel, guia-a no sentido de procurar a saída para fora do papel, registando o seu movimento por via de linha contínua.



 1#  Frames de video performance "A mosca"

Para este exercício fui rabiscando um papel ao "ritmo" do barulho de uma mosca, expressando de certa forma ,todo o caminho que ela voou até conseguir sair do papel.






  1. (Instrução para a realização de outra ação que não um desenho)
    Numa folha, escreve aquilo que sentes no momento e, posteriormente dobra e coloca num envelope.
    Demolha o envelope em água até este ficar bem molhado.
    Com cuidado, leva o envelope ao congelador e deixa-o permanecer lá durante a noite.
    No dia seguinte, retira o envelope do congelador e relê o que foi escrito no papel.


 

2# Fotografias do processo

Escrevi a palavra que me veio à cabeça no momento, nostalgia. Nostalgia é uma emoção poderosa que pode evocar uma variedade de sentimentos. Pode ser um amargo lembrete de memórias felizes, ou até mesmo um anseio por um tempo que passou.

Em relação ao resultado, gostaria que a palavra se tivesse esborratado, criando alguma mancha à qual pudesse ter associado com a definição da própria palavra

Desenho, Instrução e Performance

 

 

 

"Pega num copo com tinta a teu gosto, derrama o copo sobre um papel e desenha o primeiro pensamento que passar pela cabeça . (Partindo da mancha, continua o desenho no mesmo papel)"


A partir da instrução que recebi, segui o que me era pedido, pegando em papel, tinta (de cor azul roxeado) e um copo de água para me ajudar a criar uma mancha. Ao fazer este desenho tentei retirar os pensamentos da minha cabeça e apenas criar aquilo que me viera à cabeça no momento em que deixava cair a tinta aguada sobre o papel. A minha mente pensou no estilhaçar dum vidro em vários pedaços, e então usei a minha mão para espalhar a tinta e pretendi criar o efeito dos pedaços de vidro a separarem, usando a tinta como o espaço entre eles.

Como utilizara papel debaixo do papel central, decidi aproveitá-lo para derramar o resto da tinta e criar um desenho maior nas quatro folhas, desta vez, desenhando flores a partir das manchas que caíram nos papéis.

Optei por gravar o processo para que se visse a evolução da mancha para o desenho, seguindo a instrução que requer em si também uma acção ligada ao desenho.


[video]

Deixei os desenhos secarem durante alguns dias para ver também como estes apareceriam mais tarde e partilho aqui o resultado:





 

 

"Cada um de nós carrega pelo menos um hábito de infância no presente. Usa qualquer meio para demonstrar o teu."


A segunda instrução levou-me a pensar durante mais tempo pois considero que ainda tenho muitos dos hábitos que trago da infância, uns positivos, outros negativos, mas acabei por me decidir num hábito que me é próximo da cultura onde cresci, sendo que o lado da minha mãe é da China e cresci em Macau. Fui habituada a tirar os sapatos ao entrar em casa e este hábito desloca-se comigo seja para que país me encontro.

Para demonstrar o hábito, decidi ainda representá-lo num local fora de casa, duma zona de conforto, e passá-lo para uma zona pública mas onde passava grande parte do meu tempo, fazendo de conta que esse local era a minha casa. Escolhi a Faculdade das Belas Artes da Universidade do Porto para filmar o meu hábito e descalcei-me ao entrar, trocando pelas pantufas no seu interior. Deixando-me ficar confortável dentro do edifício como se estivesse em casa, entretanto deixara as pantufas no decorrer do dia, como ocorre em casa em que deixo as minhas pantufas por todo o lado e acabo por andar descalça ou com meias, até eventualmente sair e voltar a calçar os sapatos.


[video]

Ambas as instruções não me eram obrigatórias, não as encarei como ordens de autoridade mas de convite a criar atos performativos. Foram instruções desafiantes e que, apesar dos atos e obras terem sido resultantes de instruções, não deixam de me pertencer, pois definiria estas obras como pessoais, onde me coloco no ato. A meu ver, a instrução serve como uma espécie de comissão e colaboração com o artista, que em conjunto com o que ofereceu as instruções consegue criar obras de arte. Tal como Sol deWitt refere, os resultados das instruções serão distintas entre aqueles que as executam, pois entendê-las-ia de modo diferente e, portanto, cada resultado seria único.


instruções para outra pessoa


 

 

 

"A partir de uma folha branca e uma caneta preta, desenha um ponto. 
Agora tens a tua mosca. 
Colocando a caneta sobre a mosca, e sem a levantar do papel, guia-a no sentido de procurar a saída para fora do papel, registando o seu movimento por via de linha contínua."


 

 

"Numa folha, escreve aquilo que sentes no momento e, posteriormente dobra e coloca num envelope. 
Demolha o envelope em água até este ficar bem molhado. 
Com cuidado, leva o envelope ao congelador e deixa-o permanecer lá durante a noite. 
No dia seguinte, retira o envelope do congelador e relê o que foi escrito no papel."

 

Por erro próprio, as instruções que passei para outra pessoa foram apenas em formato escrito, pois não me tinha apercebido que elas tinham de ser representadas em desenho, tirando a ideia que parte do desafio estaria na própria interpretação da instrução, até por jogo de letras, daí que tentei não ser demasiado específica para então depois ver como a pessoa executaria as instruções.

Na instrução #1, fui inspirada pelo meu interesse em desenhos de linha contínua e gostaria até que ponto poderia puxar os limites. Criei esta instrução com a visualização que a pessoa simularia o movimento de uma mosca ao movimentar a caneta dentro do papel e questionei se porventura essa pessoa tentasse mesmo sair do papel para libertar a mosca dos limites. Uma metáfora em si pois temos tendência a fecharmo-nos nos nossos próprios limites e para quebrar-nos para novas oportunidades exteriores.

Na criação da instrução #2 já foi mais complexa e decidi até fazer um teste em casa. Quando pensei nesta instrução não foi com o objetivo da pessoa sair bem sucedida, pois tive a falha de não colocar o papel num recipiente antes de o colocar no congelador e o papel acabou por ficar lá preso. Porém pensei que esta instrução pudesse ter resultados variados com interpretações diferentes. A mensagem colocada no congelador são os sentimentos que sentimos no passado que guardamos e muitas vezes esses sentimentos podem ser difíceis de voltar a pegar, voltando para a superfície na altura certa quando sentimos preparados para ultrapassá-los. Uma pessoa que fosse bem sucedida em voltar a abrir a mensagem questionaria se ela sentisse o mesmo ao escrever o papel.

26.12.22

desenho, instrução e performance, inês soares


#1 instrução para desenho
("o murmúrio do vento")


#2 instrução para ação

Acima, as instruções que concebi para outro colega. Pretendi que se complementassem e constituíssem uma única peça, desdobrada em dois momentos/ações/registos. A anulação de um verbo na instrução foi intencional, no sentido de manter a sua interpretação e poética o mais abertas possível. 

De seguida, as respostas às instruções que recebi: 


#3 instrução para desenho

A primeira instrução consistia em desenhar várias pedras até criar um monte, tentando deixá-las voltadas para cima. O próprio enunciado também sugeria uma ação para além do registo em desenho, pelo que optei por gravar essa ação. Apercebi-me então que poderia estar perante uma situação interdependente: a realização dos desenhos e tudo o que isso constitui - atenção, capacidade de síntese, tempo de espera, ritmo, etc - é enaltecida pelo ato performativo, e vice-versa; a ação encenada depende do tempo, das variações e dinâmicas do desenho para ganhar relevância. 


#4 instrução para ação


#5 instrução para ação

"Quando acordares, abre a persiana do teu quarto/ Observa a paisagem, durante um momento. / Fecha a persiana. / Escreve as primeiras três palavras do que a paisagem te fez sentir. (#4) / Volta a abrir a persiana. / Vê a primeira coisa que modificou na paisagem. / Escreve um pequeno texto subjetivo, em que descrevas de que maneira essa coisa atua ou interfere na paisagem. (#5)

Curiosamente, a instrução para a ação já não foi registada com recurso a outro meio fotográfico ou videográfico. Em vez disso, o papel onde apontei as palavras (frente) e escrevi o texto subjetivo (verso) revela, já por si, singularidades das ações executadas: seja no peso do registo e desequilíbrio das letras, nos vincos do papel, nas hesitações reveladas pelo rasurado, ou na própria sugestão das palavras. Decidi não simular nenhuma ação e abrir espaço a que um simples registo num pedaço de papel evocasse as suas próprias narrativas.

15.12.22

Desenho, Instrução e Performance - Maria Inês Gomes

             

        Neste terceiro workshop, partiu-se da ideia de pensar o desenho como proto-performance.

       Para isso, cada um devia realizar duas instruções, que seriam enviadas à toa para outra pessoa, e consequentemente, receberíamos duas instruções à tua. Uma das instruções deveria ter como resultado um desenho, e a outra, uma ação.


            INSTRUÇÃO #1 | COLHER A LUA

               
              A minha primeira instrução, da qual devia resultar um desenho, foi a seguinte:

  - Quando foi a última vez que contemplaste a lua?


              Após receber este enunciado, comecei a refletir de que modo o poderia realizar, tendo sempre certezas, de que a ação que iria fazer, era exatamente olhar/contemplar a lua. Decidi assim, que em vez de utilizar o tempo máximo do exercício (30 min.) a olhar a lua de uma vez só, e anotar a experiência, iria dividir a tarefa por todos os dias, até ao final do exercício.
              Deste modo, de 1 a 13 de dezembro, retirei um minuto do meu dia para admirar a lua. Sendo que a dúvida que logo surgiu, foi como registar este processo. Escolhi então, todos os dias fazer um registo fotográfico da lua, sendo que houve dias em que, devido às condições climatéricas, não a consegui visualizar, mas registei essa "falta no céu", na mesma. Num dos dias, em que não a consegui ver, fotografei um candeeiro de rua, através do qual num primeiro momento é possível este confundir-se com a própria lua, e decidi incorporar esse registo, pelo lado satírico do mesmo.

              Como resultado deste registo fotográfico, concebi um caderno, com todas as fotografias, que serve assim, como um género de diário gráfico desta ação diária. Decidi também, manipular digitalmente as fotografias, dado as originais não me agradarem em termos de qualidade, trazendo mais uma camada à imagem final.

              A digitalização do diário encontra-se abaixo:














           INSTRUÇÃO #2 | DESENHAR O SILÊNCIO

         


           A segunda instrução que recebi, consistia no seguinte:

            - Preparar o ambiente. / Escolhe o álbum. / Venda os olhos. / Posiciona-te no papel. / Escolhe uma cor para cada mão. / Desenha o som da música até o álbum acabar.

          Para esta instrução, quis tentar pensar numa maneira de dar uma nova interpretação ao enunciado. Pensei em diversos álbuns, que poderia ouvir, mas ocorreu-me que poderia ser interessante encontrar músicas sem som, ou seja, algo que remetesse, por exemplo, à faixa 4'33 de John Cage, algo dentro desse tipo de abordagem performativa. Foi assim, que descobri que uma banda chamada Vulfpeck, havia criado um álbum em 2014, que consistia em 10 faixas, de aproximadamente 30 segundos cada, de puro silêncio. (O álbum pode ser consultado através deste link: https://www.youtube.com/watch?v=kTE2UdbmDw4 )

          No entanto, quis também refletir qual a maneira indicada de desenhar o silêncio. Depois de matutar na questão, concluí que iria então desenhar com água. Apesar de deste modo, não ter presente a variação de cor indicada no enunciado, acrescentei uma nova camada de leitura do mesmo, pois tal como o som do álbum se dilui em nada, a própria água deixaria um registo, que acabaria por evaporar e diluir o seu rasto.

          Abaixo encontram-se dois registos fotográficos da realização deste exercício:


Preparação do espaço



Resultado final


          Através da execução desta instrução, aliando o silêncio, ao registo do mesmo através da água, pude ter uma maior consciência de corpo, som e espaço, possibilitando a exploração dos limites dos mesmos. Ao ouvir este álbum pude registar alguns sons de fundo do ambiente em que me encontrava, nomeadamente: o ruído de carros, o barulho do comboio, algo que me remeteu ao som de uma mangueira de pressão, a minha vizinha a varrer, ou até o próprio vento. Pude também tatear o papel, buscando reproduzir os sons que estava a ouvir através da água e explorar os seus limites. Outro ponto a anotar, foi o tempo de execução do exercício, sendo que o álbum tem pouco mais de 5 minutos de silêncio, estando vendada, não pude ter uma noção correta do seu termino, acabando por ficar embrenhada em explorar os sons que ia ouvindo. Quando retirei a venda, pude constatar que o som já havia acabado, porém não sei quanto tempo estendi este prolongamento da ação, diria não ter chegado aos 10 minutos.


No fim, posso dizer que foi desafiante tentar solucionar uma resposta para estes enunciados, bem como, foi interessante pensar as instruções a enviar, sobretudo pensar o desenho, como principal elemento de instrução, revelando-se um elemento muito rico e vasto de interpretação. 


14.12.22

Desenho, Instrução e Perfomance

 

    Para este workshop de Desenho, instrução e performance, nos foi pedido a realização de duas instruções para que depois essas pudessem ser entregues de forma anonima a um colega para a realização das mesmas. Estas instruções tinham como objetivo ser um pedido ou um convite ao outro, e uma destas instruções teria de ser realizado um desenho ou uma série de desenhos, e a outra seria a realização de uma ação performativa.

    Deste modo, desenhei duas instruções com o auxílio de uma descrição escrita para a realização das mesmas, a primeira, a instrução de desenho, tinha como objetivo a transferência de texturas, um pouco ligada à minha prática de estúdio, onde vou captando formas e texturas para a criação de desenhos e colagens.

    A segunda instrução (ação performativa) tinha como intuito de guardar o som, isto é através da voz guardar vários sons em recipientes. Também esta ação foi pensada segundo o meu projeto por estar a trabalhar com arquivos de imagens e histórias antigas, e dessa forma umas das primeiras coisas que me veio à cabeça a pensar sobre este exercício foi o som e a voz, que por norma é das primeiras coisas que nós esquecemos de uma pessoa quando esta deixa de viver, de todas as memórias que ficamos dela, a voz é a que esquecemos quase por completo, e desta forma metafórica a ação de “guardar” o som tinha esta premissa de puder ter esta memória que é das mais efémeras.


 As intruções  que eu criei para outra pessoa:


1ª Instrução

Reproduzir 3 desenhos de transferência.

No primeiro desenho, com o uso de um meio riscador (carvão, pasteis, sanguínea, etc) e uma folha branca, ir até ao exterior e encontrar uma árvore onde se vai colocar a folha sobre o tronco e transferir a sua textura para o papel através de um meio riscador escolhido.

No segundo desenho, preencher a folha com uma camada de carvão, pousá-la sobre a calçada da rua e através do movimento dos pés sobre a folha tentar captar a textura da calçada.

No terceiro e último desenho será realizado sobre um banco de jardim, onde será colocada uma folha em branco, e onde a transferência da textura irá ser realizada através do ato de “sentar” sobre a folha, em várias posições diferentes.



2ª Instrução

Com o uso de vários recipientes diferentes, tais como garrafas e frascos, esta performance tem como intuito guardar o som.

Escolhe 5 localizações diferentes, tanto exteriores como interiores, onde vais produzir sons ou ruídos através da voz, e guardá-los um a um dentro de um recipiente.

Depois dos 5 sons recolhidos e guardados, os recipientes têm de ser etiquetados com o local e o som/ruído que contêm no interior.





    As instruções que eu recebi de forma anónima foram muito interessantes, a primeira onde se tinha de ser produzido um desenho, o enunciado pedia-me que eu produzisse um auto-retrato de olhos fechados usando apenas o tato para o puder concretizar. Ao criar esta ação através do desenho percebi o quão difícil é puder construir um desenho quando não tenho qualquer conhecimento daquilo que está a acontecer na folha, e utilizar apenas o tato para me guiar. Para esta primeira instrução realizei 3 desenhos diferentes, pois após o primeiro resultado achei que seria interessante puder perceber de que forma estes desenhos iriam alterar se eu repetisse novamente a ação através dos mesmos gestos, e a verdade é que os 3 desenhos ficaram completamente diferentes uns dos outros, e a realidade que estava a acontecer dentro da minha cabeça de como o desenho se estava a realizar não coincidia em nada com a realidade, mas o resultado acabou sempre por me surpreender.

O desenho da instrução:


Os resultados da minha ação:






    A segunda instrução, foi-me pedido que produzisse várias ações performativas ao longo do dia ou em fizesse as minhas ações normais, mas produzindo-as ao contrário, como andar de costas, ou como é sugerido na imagem que me foi enviada colocar o leite e os cereais na sequência contrária à qual eu costumo fazer.



    As ações que eu realizei foram: lavar os dentes, mas em vez de usar a escova dos dentes como nos é habitual, eu decidi usar a parte de baixo da escova para conseguir escovar, e quando bochechei a água depositei-a novamente no copo, ao contrário do que seria esperado e deitá-la para a pia.


    A segunda ação que realizei foi escovar o cabelo, mas utilizei a escova do cabelo para escovar a minha roupa.


    Terceiramente, fiz uma ação que me foi sugerida no enunciado de andar para trás, onde fiz um percurso que faço todas as manhãs dentro de minha casa onde todo o caminho é feito de costas.



    
Também como sugerido pela imagem do enunciado fiz a troca da sequência na qual se comem os cereais, acontece que, em ambas as situações que são apresentadas na imagem, eu não realizo apenas uma no meio dia-a-dia, desta forma representei as duas ações seguidas e em vez de uma taça de cereais, que é o normal, comi duas, onde a sequência em cada foi diferente.




    A quinta e a sexta ações que realizei foram produzidas na cozinha, uma enquanto eu ia buscar água para beber num copo, só que ao encher o copo com água da torneira, eu decidi virar o copo do avesso e beber a água, acontece que ao contrário não havia nada para beber. Também a outra ação realizada na cozinha foi fazer o almoço, em que eu decidi colocar os vários ingredientes num tacho, completamente crus e ainda dentro da embalagem, algo que não seria esperado de alguém que iria realizar um almoço.



     Decidi também criar uma ação onde eu estaria a estender a roupa, mas que não a colocaria no estendal, mas sim no chão por baixo do estendal. 


     A última ação que realizei, foi ver televisão, que é algo que por norma se faz num sofá ou nunca cama, mas em vez disso, eu coloquei-me completamente colada ao ecrã da televisão para conseguir assistir ao programa que estaria a passar. 


      De uma forma geral acho que os exercicios correram bastante bem, e toda a proposta foi muito interessante, principalmente a performance em que tinha de pensar as minhas ações ao contrário, eu tentei sempre não pensar demasiado sobre como as iria execturar e deixar apenas fluir, desta forma acaba por ser bom depois olhar novamente para o exercicio e tentar compreender as escolhas que eu fiz, e porque não escolhi outras formas de as produzir.