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16.12.16

Workshop 3 - O Trabalho de Sísifo

João Paulo Freire


Na mitologia Sísifo foi o mais ardiloso dos mortais, entre suas façanhas podemos citar diversos casos onde este enganou os deuses, até mesmo aprisionou o Deus da morte Tanato. Todavia Sísifo não conseguiu escapar do seu derradeiro destino. Foi condenado a rolar, eternamente, uma pedra até o cume de uma montanha, contudo, ao chegar próximo do topo, a pedra rolava novamente para baixo invalidado seu esforço e o fazendo repetir todo o processo.


O trabalho de Sísifo nada mais é do que o nosso drama cotidiano de termos que executar repetida vezes trabalhos rotineiros, mesmo sabendo que estes em pouco tempo deverão ser executados novamente. É como uma patologia eterna, quanto mais anos nos são concedidos mais atividades repetitivas são inseridas no nosso cotidiano.


Meu trabalho constitui numa representatividade dessas questões rotineiras e cotidianas. Procurei inserir elementos representativos paras cada característica do trabalho como uma vestimenta hospitalar, a vassoura e o próprio ambiente.

A ação consistia em tentar limpar uma zona repleta de folhas. As folhas iam sendo retiradas por um determinado período, após esse período elas eram espalhadas novamente por todo o terreno.








13.12.16



Toque erótico - Workshop 2

O “objetivo” deste trabalho é jogar com a existência de uma idéia de performidade usando uma ação instruída. Nesse contexto, pensei em criar uma antítese do ato onde a própria instrução desconstrói a performidade, gerando assim um ciclo de desconstrução fomentado pela tentativa de execução. Baseado nessa idéia, era necessário que fosse criada uma instrução onde sua execução, exata ou não, iria de oposição ao que se queria propor ao ato. Minha parceira de trabalho foi a Gabi.

“Toque de forma erótica em uma parte do seu corpo que não alcança com as mãos.”

Sabendo que o toque é o estado onde a mão entra em contato com outro corpo, descreve-se uma ação onde existe uma impossibilidade conceitual. Pedi para a Gabi tocar numa parte onde não pode alcançar com as mãos. Ou seja, analisando a própria idéia de toque e descrevendo a sua impossibilidade, se cria um fluxo infinito de tentativas onde a possibilidade de concretização inviabiliza o ato. Usei um termo fetichista como elemento de distração, o erotismo como termo desviante da plot principal tira o foco do ato propriamente dito deixando sua concretização mais complexa e dificultosa. A instrução é um mero elemento de guia, contudo parte do seu significado está além de sua própria execução, cabendo assim, uma não execução da instrução. Quebrando o ciclo infinito de ação e sua impossibilidade.
Gabi optou por não agir. Acredito que pela impossibilidade do ato a reação de simplesmente ficar estática reflete bem a sugestão do ato. Interpreto a inércia da Gabi como o reflexo de uma personalidade que busca fugir desse ciclo.
Quando pensei nessa performance pensei na busca infinita humana por algo apesar das constantes distrações e na finalidade do interesse ao conquistar determinado objetivo.

“Faça um desenho de como seria o toque da ação proposta”
Baseado na ação, pedi pela construção de um desenho fundamentado no que se pensa sobre o ato anterior. Uma interpretação livre da ação em si.

João Paulo Freire



  







16.10.16

João Paulo Freire

















Pensar num movimento repetitivo sempre me leva a pensar no ato de limpar, talvez por alguns distúrbio psicológico mal resolvido, o varrer de uma casa, o esfregar de uma roupa, o ato de escovar algo, sempre repetições automáticas, mecânicas e braçais.
O que é o desenho se não algo similar a limpeza? Pelo menos em sua configuração física existe uma semelhança. Todavia o resultado é o inverso. Quando mais se esfrega, ou varre (com o pincel) mais se suja, mais se cria informação visual.


Na minha primeira atividade usando movimentos similares ao de escovar os dentes (e uma escova de dentes como ferramenta) desenhei um sorriso. No primeiro momento os movimentos iniciais geram a construção do desenho da boca, contudo, chego ao limite da construção e meus movimentos começam a sujar o desenho, nascendo assim um paradoxo. Quanto mais eu escovo a boca, mais eu a deixo com aspecto poluído.


Na segunda atividade pensei em levar a percepção sensorial a uma expressão que afetasse meus transtornos compulsivos naturais. Ações corriqueiras levam a essas questões em seu caráter mais inconsciente. Procurei uma ação simples mas que tivesse uma força além da sua própria essência. Pensei num ato básico e cotidiano, como o de acender uma lâmpada. Como tornar algo tão simples em algo extremamente agravante? Busquei seu extremo ao ligar e desligar freneticamente a lâmpada. A ação por si já é de grande incômodo, além do próprio temor de um possível dano ao dispositivo eletrônico. Percebi um gesto com o mínimo de esforço físico e de grande agravante mental. Nesse processo visualizei um exagerado senso de simetria e organização instalado na minha natureza.


Usando uma lente de aumento procuro amplificar uma pequena fração de um objeto maior e construo o meu desenho em cima do meu ângulo de visão daquela fração. Nesse terceiro exercício exploro o meu ponto de vista daquele trecho mostrado na lente de aumento, porém, cada ângulo do olhar irá ter uma representação diferente do trecho ampliado pela lente.