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13.5.20

Upsidedown camping : performance, documento e desenho

Acampei sobre um eucalipto que tinha tombado durante as chuvas moles noturnas no algarve. Depois de cair, a arvore descansava  alguns anos e eu invadi o sono dela com a minha tenda verde. Pela noitinha toco nas texturas do tronco para me guiar. Na entrada da tenda caem pinhas, folhas, sementes e o som de um cuco. Pela manhã mudo-lhe a posição e de cabeça para o chão, os seus limites já não ficam fora do tronco. Assim vejo melhor as texturas e desenho um mapa dos sítios que a Lhasa, a minha cadela cheira por ali perto. No meio de tanta cor e verde caótico procuro perceber se também não invadi o espaço e sono do cuco. Parece que a minha tenda destaca-se pelcor rosa a uns 60m da visão do pássaro. 
A frase 10 em Sentences on conceptual art por Sol Lewitt: "Ideas can be works of artthey are in a chain of development that may eventually find some formAll   ideas need not be made physical." 






Desta forma os meus desenhos e a vegetação que recolhi do espaço, pretendem ensaiar novamente o tempo que investi neste em acampar e denotar, invocar e fazer real a minha invasão neste espaço. “A desaparição do objeto surge então como fundamental da performance; ela ensaia e repete a 
desaparição do sujeito que espera sempre ser lembrado.” Simplesmente gostava de ser relembrada como a pessoa que acampou de cabeça para baixo entre uma àrvore de eucalipto e o chão. 
Bibliografia: 
Sol Lewitt, “Sentences on Conceptual Art” (1969), reprinted in Sol LewittMuseum of Modern Art, New York, 1978 in American Artists on Art from 1940 to 1980, edited by Ellen H. Johnson, 1982 
PHELAN, Peggy in A ontologia da Performance, 1993 

8.5.20

Desenho Instrução e Performance  

Execução: Maria Carolina Sousa

Instruções: Marina Gonçalves


Para este exercício foi-nos proposto que explorássemos as (noções) de instrução/ordem/pedido/convite, através de uma troca de instruções entre duas identidades para a elaboração de um desenho, ou uma série de desenhos, e a performance de uma acção. 
Uma instrução é uma sequência de passos concebidos para nos auxiliar a realizar uma actividade dentro de um padrão. Essas instruções podem, ou não, ser seguidas, ficando essa decisão ao cargo de cada receptor. Frequentemente, essa negação das instruções pode ser interpretada como uma resistência ou até mesmo de desobediência. Por outro lado, estes passos não são uma obrigatoriedade e a falta de rigor ao segui-los pode abrir portas a interpretações pessoais e, assim, resultados inesperados.
Tendo esta última perspectiva em conta, executei uma leitura das instruções para receber uma ideia geral dessas instruções e realizei as actividades de memória para me proporcionar uma maior liberdade interpretativa.


Desenho


Instrução do desenho, por Marina Gonçalves

















Para o desenho, duas acções parecem ter um carácter mais obrigatório, como se fossem ordens: a presença de cor e a duração dos desenhos. Não havia muitas restrições no que diz respeito aos materiais suportes e dimensões. No tema também me foi dada a opção de escolher dentro das opções apresentadas, o que me permitiu explorar sem grandes preocupações o tema, a qual escolhi um movimento produzido por um animal de estimação. Assim criei uma storyboard a homenagear a minha caturra a fazer surf com uma banheira de plástico que ele tinha na sua gaiola, o seu brinquedo favorito.




Acção


Instrução da acção, por Marina Gonçalves

Para a acção foi-me dada uma receita de um bolo de banana. As receitas são um template, concebidas para obtermos um resultado controlado e previsto por alguém que as fez. No entanto, existe sempre uma margem de erro, ou porque não se é rigoroso o suficiente ou porque os elementos não são os mesmos. Neste caso tomei esta instrução/receita como um template base, o qual teve de sofrer algumas alterações devido a restrições alimentares, como alergias, nomeadamente, o leite e a farinha. Estas alterações são o suficiente para mudarem radicalmente o resultado final. Tudo isto levou-me a reflectir sobre a importância de seguir instruções. Por um lado torna-se positivo, as instruções são um excelente auxilio à aprendizagem. Com elas conseguimos reunir um conjunto de conhecimentos base que nos permite mais tarde avançar para um patamar de exploração superior. No entanto esse patamar apenas pode ser atingido quando pomos de lado as instruções, assim que estivermos preparados, e começamos a pensar "fora da caixa".






30.4.20

Instrução de um desenho e de uma acção - nada disto é arte, apenas instruções para

Instruções por Maria Carolina Sousa
Fechar os olhos e ver cores foi a dicotomia que encontrei ao realizar esta instrução, desenhar de olhos fechados já não é tão poético como os dois primeiros verbos. Não aqueci a mente a olhar para a janela, mas diretamente para o sol, e o movimento da minha cabeça e as vezes que as pálpebras estavam de frente para a luz, as cores mudam. As formas são algo mais cerebral que não carecem tanto da luz do sol.  
Como poderia eu saber que cor estava a usar se tinha os olhos fechados? Mas "(...) fazer o impossível, a modalidade e o humor geral subjetivo"(Sperlinger,2005) então pensei e se escrever as cores que vejo ou organizar os lápis por certa ordem?  
Mas a certo momento troquei tudo e em outros momentos, deixei-me levar pelo desenho e pelos movimentos da minha cabeça. Transformação: "o aspecto político é baseado na imaginação transformada".  Mike Sperlinger em Orders! Conceptual Art's Imperatives refere-se ao ver como a aprendizagem do próprio verbo. Ao ler qual quer uma das instruções de Yoko Ono em Grapefuit consigo imaginar sempre a acção e logo perceber de imediato se ela é possível de fazer. Ou se fica apenas como uma visão, ficando essa aprendizagem.

A instrução que me foi dáda tem mais o carácter de ordem do que imaginativa ou poética, mas também há espaço para imaginar como organizo-me para conceber este desenho.    

      



















Desobedecer: o verbo que me surgiu logo que li a instrução para a acção. Há algum tempo que faço umas pequenas esculturas de papel, primeiramente deposito papel, cola branca e água dentro de um frasco de vidro. E depois de secar durante um dia, parto o frasco. A realização desta pequena escultura e o gif que dela fiz, pode também ser uma instrução. Porque vou fechar minúsculas partículas num frasco só para depois inalar? E se entre as partículas, uma é o parasita COVID-19 ou SARS? 
 "Trabalhos baseados em direções / instruções podem não ser respeitados / obedecidos e diluídos." (Sperlinger,2005)  Repete-se a ideia de instrução e em resposta a ela, passo a agir como o fazedor (craftman) que quer fazer alguma diferença no resultado final. Imaginar, desobedecer e transformar – pequenos mundos transformados, diferentes linguagens. 
Douglas Huebler em 1970 desenhou uma linha vertical e deu-lhe o título: The line above is rotating on its axis at a speed of one revolution each dayCo-existir desta forma na mesma folha é ser o próprio convite para imaginar esta acção.   

Bibliografia: 
SPERLINGERMike; Afterthought – new writing on conceptual art in Orders! Conceptual Arts Imperatives(reeditado) 2005 
LIPPARD, Lucy R. The dematerialization of the art object from 1966 to 1972(reeditado) 2001