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22.6.18

Trabalho Final - Desenho como ato performativo


T u d o - e s t á - a  - a c o n t e c e r 



A janela é vista enquanto um dispositivo de passagens. Um abrir do espaço interior para o exterior. A janela conduz o olhar. Instiga. É detentora de um dissimular do tempo. Há qualquer coisa de intenção na relação do aberto e fechado das janelas, e como essa ação modifica as intenções, o gesto, a corporeidade.  Um ato não vem só. Há um sentido orientado na transferência da ação:
 As janelas são proponentes de um deslocamento. Geradoras de uma ação e reação. Uma afirmação à linguagem do nosso corpo. Que sempre impõe sua presença.  As fotografias das janelas servem como testemunho que o meu corpo esteve lá. O desenho feito nelas, interferindo-as, vem servir de prática em si mesmo. Há qualquer coisa de presença reagida a partir da transferência dos gestos. Se por um lado, assumo a janela como uma abertura. Um mundo possível. Por outro, a coloco em um esvaziamento. Uma suspensão visual. Deixando-a nua, com a força sensorial do tempo que foi. Sensações despertadas no gesto inicial. 

Deixo a minha materialidade impressa nas janelas. como aberturas acesas, que se dilatam e se ampliam. E não me importo em deixá-las no escuro por algum tempo. É um movimento. Uma forma de desenhar. 








21.6.18

Desenho como Ato de Presença



Um gesto que pra mim tem qualquer coisa de afetividade. 
Uma brincadeira que painho fazia comigo.
De um lado a minha mão. Do outro, a dele.  Um entrelaço das mãos.
Um movimento circular dos dedos.
Brincar de amassar o dedo polegar em cima do outro.
Agora, o gesto foi ressignificado.


A partir do gesto, a tinta constrói um rastro, um vestígio da presença.





2.5.18

Transferência ato-imagem – performance e documentação


Brinquei com a relação do tempo e o correr da vida, passado e presente. Sem deixar escapar o futuro (agendando anotações de entrega e lembrança de aniversário). E ao mesmo tempo, numa intenção de reflexão da vida e do processo criativo, em um sempre presente estado de busca e a sensação de estar sendo buscada. Gosto de pensar aqui, sobre as possibilidades que foi o passado anotado e de quem é o presente e o futuro ali guardados. E ao mesmo tempo, pensar como se estabelece essa relação: uma vida que acontece no presente de 2018, e um passado que aconteceu há meio século. E o presente sendo registrado nesse passado.
A ação foi calculada. O resultado não foi. Estava ciente que se tratava de uma agenda antiga, mas não sabia o que havia dentro dela. É como se no gesto, estive algo a acontecer, a cada folhear um território novo. Estava sendo guiada por uma vontade curiosa e disposta ao outro, ao desconhecido. Um jogo que assume uma relação de identificação do tempo presente, incluindo nome e telefone. Por outro lado, uma sugestão do não aparecer. Não há nome, não há telefone da outra pessoa. Mas há possibilidades. Recortes que remontam um tempo possível que passou. 
Há nesse gesto, qualquer coisa de continuação da presença:





(alguns dos registros feitos)


Marcação do lugar da ação:

A ação foi realizada no meu lugar de estudo, sobre a mesa do meu quarto. Meu lugar afetivo, com recortes de investigações, sonhos, planos, realizações. Tudo em tempos diversos. 
Estes documentos da ação executada podem alcançar o sentido documental que Jacques Derrida elege como significado transcendental.


Aqui para mim: um movimento aceso de significados e significantes 
 .






17.4.18

WORKSHOP 3: Desenho, Instrução e Performance


Desenho, Instrução e Performance


Instruções criadas por Rava Midlej, realizadas por Cristina Rossillo:

1) Fazer uma série de desenhos a partir da observação e compreensão do seu corpo, como você o sente (coluna, mãos, pernas, pés, cabeça e etc).

(Falta pegar o resultado com a colega)

2)Passear/circular pela Faculdade e deixar uma espécie de rastro por onde passar. Os rastros têm que ser visíveis às outras pessoas que podem vir a fazer o percurso. 






Instruções criadas por Cristina Rossillo, realizadas por Rava Midlej

1) Escutar minha música interior (respiração, pulsação), na sequência escolher um número de 0 a 9 e, usando o número escolhido, desenhar o reflexo de uma flor na água. 

Colhi umas folhas e flores e depositei numa caixinha com água e comecei a observar as possibilidades de imagens que começavam a acontecer. Seguir atenta ao meu ritmo, minha respiração, meu tempo, e comecei a olhar para a água do fundo e tentar encontrar um reflexo que fizesse sentido com a proposta. Depois de alguns minutos balancei um pouco a água e nada me acontecia intuitivamente, mas fui registrando com fotografias. Depois peguei o celular para olhar os registros que havia feito, encontrei uma sombra que fez sentido para mim: era a sombra do trevo de 3 folhas, colhidas no quintal da casa onde moro, formando uma barriga número 6. O mesmo formato de barriga que acompanhei por fotos durante 8 meses, com a gravidez da minha cunhada, que nessa segunda-feira, no mesmo dia dessa atividade, deu à luz.  






2) Pegar uma cadeira ou banquinho, agarrá-lo para assento; Girar a parte estrutural do objeto, imaginando que eu estou a tocar um instrumento musical e, em seguida, andar de acordo com o ritmo da música.

Aqui tentei ir para um espaço externo, o qual eu conseguisse sentir o campo mais aberto, o ar, o céu, o verde. penso que essa atmosfera iria me ajudar a relaxar e abrir espaço de conforto para p corpo e a mente, deixando-o sensível para ser despertado com as instruções. Mas não aconteceu da forma como imaginei. Fiquei um tanto preocupada de fazer exatamente o que a colega havia pedido no papel e acabei por me distanciar da sensação presente, real, orgânica! 




4.4.18

Ensaio: Retórica do ato performativo




Ensaio: Retórica do ato performativo


O caminho da linguagem é, todo ele, marcado pela intencionalidade na construção do mundo humano do sentido. A natureza desse pensamento visual e dos sentidos, que retiramos e devolvemos ao mundo, estão envoltos nos mesmo mistérios e enfrentamentos por aqueles que têm algo a dizer, do mundo que os afeta, afirma Otávio Filho, (2012, p 7). 








O ensaio está sendo construído a partir da figura da mulher e sua relação com outras mulheres e com a terra (o termo terra aqui alcança palavras outras, como território – espaço – lugar – condição). A experimentação deseja alcançar a importância da sororidade, muitas vezes escondida no embrutecimento da vaidade e da indiferença, nos afirmando apáticas umas às outras, submetidas a todo tempo às ditaduras doentes e que, de nada são sociais. O trabalho aponta para pensar a arte como uma potência afetiva entre mulheres – um existir-corpo que se dilata, se agrupa e se reconhece em outros. O ensaio também faz analogia à objetificação da mulher com a galinha – seres que já nascem demarcados por sua utilidade, atravessados por mundos externos de condições e limites, de uma sociedade que deixa marcas e tenciona o desciclo – ferindo o poder natural da vida, uma força que não deve ser ameaçada. É a voz do corpo feminino que tencionamos aqui, numa sutil reflexão sobre a opressão e a violência contra a mulher, trazendo a figura da galinha como desvio de uma observação e constatação. Gerando perguntas mais do que respostas.

3.3.18

Transferência-de-Uso | Rava Midlej

Insuflar o cotidiano com certo poder metafórico

Transver o gesto - a rotina como algo a ser reposto e resignificado.








Esses primeiros exercícios foram feitos numa manhã que antecedia a nossa aula. E não resisti em fazê-las em casa. Pensei em refazê-las na aula, como proposto, mas seria uma repetição desnecessária (acho eu).


Na imagem I e II, utilizei as gotículas de água que ficaram pousadas na janela do meu quarto, e em um exercício de alongamento das panturrilhas(para cima e para baixo) e no movimento do pescoço, para a direita e esquerda, o desenho se fez no vidro. Os registros foram feito por mim mesma, enquanto fazia o movimento, por isso não estão tão bons.







Na imagem  III e IV, utilizei a mesma base, mas numa parte da janela ainda intocável, que mal dava para enxergar o outro lado da rua. Com a língua, num movimento circular, constituir um orifício para abrir um outro campo de visão do mundo externo:







Na imagem V, tentei experimentar o desenho que se formava a partir das cinzas do cigarro em que fumava, assim como rastrear a possibilidade do desenho que se formava na seda, no papel que acolhe o fumo:





Na imagem VI e VII, pintei os lábios e realizei uma pronuncia na folha de papel, para perceber o desenho, o rastro, que o ato de falar deixaria no papel (os vídeos não ficaram muito bons, deu um print em 2 momentos)