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7.7.22

Trabalho Final

 O desenho e a performance: estudos sobre as nuvens

 

A proposta do trabalho foi desenvolver estudos  de nuvens durante o período de um dia. Com o objetivo de acompanhar as mudanças das formas das nuvens desde o momento nascente e poente do Sol. A performance iniciou às 6 horas da manhã e terminou às 9 horas da noite. A cada uma hora era feito o desenho de observação de uma nuvem que estava mais próxima da minha visão. Ao todo foram produzidos 16 desenhos que registraram as irregularidades encontradas nas formas das nuvens através de manchas feitas com tinta nanquim sobre papel. 

 

A prática de desenhar nuvens foi construída a partir de manchas provocadas entre a ação de quem está a registrar a imagem, uma relação sensorial da observação da paisagem contemplada e a representação da mesma sobre o papel. Para essa ocasião, a mancha provocada no papel torna-se um procedimento de interpretação da observação das formas orgânicas, encontradas nas nuvens e em tantos outros elementos da natureza. As nuvens acabam tornando-se elementos férteis para imaginar soluções gráficas e/ou pictóricas, por apresentar características voláteis e intrigantes, estando entre a figuração e a abstração, a imagem e a não-imagem, escondendo-se com sutileza na paisagem e transforma-se em um véu turvo que dificulta a precisão do olhar. Essas e tantas outras observações corriqueiras encontradas na natureza, vistas em situações do cotidiano, que surgem neste trabalho como uma curiosidade e motivação para praticar o desenho. 


Os estudos apresentados neste escrito, buscam encontrar as irregularidades presentes nas formas da natureza através da mancha. As referências utilizadas para a criação dos desenhos partiram de observações da forma das nuvens, que visivelmente eram semelhantes a abstrações e que potencialmente poderiam ser exploradas através de procedimentos que utilizam-se da mancha. Não havendo a intenção de representá-los através de um contexto literal, com borrões brancos e acinzentados que parecem flutuar, mas sim, utilizar as características sensoriais desses fenômenos através das manchas para criar desenhos.






3.6.22

Desenho como Ato de Presença

 O trabalho inicia-se no momento das escolhas dos materiais que poderiam substituir ferramentas gráficas tradicionais: como o lápis, canetas, pincéis, etc… Esses materiais foram selecionados nas redondezas do espaço da faculdade, a partir de resquícios de folhas, pedras e gravetos encontrados no chão. Essa escolha esteve direcionada na possibilidade que os materiais orgânicos poderiam criar enquanto uma ferramenta que provocaria texturas e manchas em uma superfície. 

  


Após a seleção dos materiais, os mesmos foram adaptados às necessidades da proposta da performance. Essas ferramentas orgânicas seriam utilizadas como materiais riscantas com a ajuda da tinta nanquim. A ação da performance tinha como objetivo experimentar as intensidades do movimento do corpo, especificamente os braços e as mãos, com materiais adaptados. O desenho foi produzido sobre uma folha de papel, tendo como regra a utilização das ferramentas até a sua inutilidade, por estarem quebradas, devido a efemeridade da composição do material. A performance acabou no momento em que não houve mais possibilidade de utilizar as ferramentas.







20.5.22

Performance, Documento e Desenho

 Há uma janela no hall do terceiro prédio da Faculdade de Belas Artes que despertou o interesse em criar a proposta do tópico Performance, Documento e Desenho:




O espaço foi escolhi por sua característica e função: janelas que iluminam o exterior do prédio e ficam próximas do acesso as escadarias do segundo andar. Nesse espaço há um fluxo de pessoas a passar diariamente, uma possível alteração do espaço poderia provocar uma nova percepção sobre os ambientes que fazem parte de percusos rotineiros. 



A transparência dos vidros nas janelas poderiam ser modificados, talvez coberto ao longo das horas do dia, por uma lâmina de acetato colorida, que assumiria o papel de filtro, para reluzir uma tonalidade que seja saturada e altere a luz ambiente natural, supondo como o espaço seria afetado pela mudança da cor da luz que é emitida pela janela.








13.5.22

Angelika Czubasiewicz, Desenho, Instrução e Performance



 I got a picture guide and a list of materials from Kaue. As the pictures indicated, I lay down under the table and put a sheet at the bottom of the table and drew as long as my hands would allow. Then I laid down on the table and drew a sheet on the floor. The task was not easy due to the position and the imposed limit. I like the effect and the provoked situation.








The second instruction was in the form of a verbal instruction. I drew my finger through the air, paying attention to objects, lights, shadows and people moving. In my imagination, I created a landscape of situations that took place in our studio.





 Inspired by the task, during the performance “Axis mundi” I distributed ice pieces to the audience. I waited for the audience to interact if they wanted to. I began to melt the ice on my body. After some time, people came and put ice cubes on my body.










 


Angelika Czubasiewicz, 2022





26.4.22

Desenho, instrução e performance.

Recebi um código registrado no papel acompanhado de uma mensagem. O escrito indicava que o corpo deveria ser o principal meio para decifrar o código:

One another papper there is a message. Think what this all mean. Use your body to explain what do you see. Fallow shapes, fallow the rhythn. If you already know, try to loop in this message. be in this sequence od movements until you understand the deeper meaning. All the answers are in you.  




Optei por utilizar o braço para reproduzir o movimento dos traços representados no código. Ao longo da ação, o movimento do braço que seguia os traços lineares, eram interrompidos pela mão que estava fechada. Neste momento, pungia uma ruptura entre o espaçao da linha, que era pausada pela ação do punho batendo sobre a superfície, o ponto, que  indicava a pausa do seguimento. Como uma mensagem de código Morse, o corpo seguia uma uma leitura realizada através da identifição de sinais. 




25.3.22

Retórica do Ato Performativo

Estava a observar as imperfeições e as assimetrias encontradas nas nuvens:





Como essas formas irregulares, que pairam pelo ar, podem estar conectadas com

experiências sensoriais?


  A reflexão parte da representação da nuvem enquanto elemento da cultura visual,

que possui uma imagem pré-concebida com estereótipos, em contrapartida ao fato de

que as nuvens são aglomerações de partículas de água, que podem ser visíveis, mas

não tocadas ao ponto de senti-las enquanto objeto. 

 

A imagem selecionada para explorar o conceito tratado no seminário, busca apresentar a retórica da imagem representada por um ato. No qual induz o corpo seguir a ação de simular aquilo que é reconhecido como uma nuvem: o braço é colocado ao alto, para elevar um material com aspecto macio e leve, que se aproxima com a suposta ideia de representar a forma de um signo, em aspectos formais e matéricos. 






25.2.22

Kaue Nery, Transferência de uso

 Foi estabelecido que os verbos de ações realizadas no cotidiano seriam o principal fio condutor para explorar possibilidades através da linguagem do desenho:

  • Primeiro Ato: Mexer 

Estive a pensar sobre os movimentos cíclicos de uma colher. Quais grafismos iriam surgir se o instrumento pudesse ser registrado através de linhas?

 "Pelo pressuposto de uma xícara de café, que precisa ser adocicada, a colher segue o movimento descordanado de uma  mão dormente, que ainda está a acordar de uma  noite inerte, balança o objeto, que segue o ritmo repetitivo de um mantra matinal."




Como um pêndulo, os pincéis foram suspensos e induzidos, através do movimento da mão, a balançar em diferentes direções. 


  • Segundo Ato: Molhar - Esfregar
A combinação de dois verbos, para estabalecer uma conexão imagética junto ao ato do fazer. Molhar, como ato de limpar, e esfregar, como ato de remover.

Nesse estudo, o  papel é umedecido... desmancha-se pelo excesso de água vinda da esponja porosa, que arranha as camadas e retira a mancha da superfície. A obsessão pela repetição provoca o esgotamento do suporte, que aos poucos, perde sua característica plástica e evidencia a ausência da materialidade. 










O vazio como resultado da ação de repetir o movimento aprupto da esponja na superfície do papel, criando buracos no suporte.

 


Terceiro Ato: Secar 

O segundo estudo indica a reflexão da última tarefa. O resquício do trabalho na parede, com as manchas causadas pela a esponja molhada. 

A sombra, como princípio do desenho, aparece no retângulo do papel, que isolou a parede do restante das manchas. As gotículas, que escorreram pela parede, vão parar na proteção depositada no chão. Onde as mesmas secam, pelo processo de evaporação.