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19.6.19

trabalho final - Mariana Barrote

"O odor da pantera"


documentação fotográfica de performance. Quinta do Paço da Estrela, concelho de Viana do Castelo




documentação dos vestígios da actividade de gestos perpretada em "O odor da pantera"




desenho como ato de presença - Mariana Barrote














Via dei Tribunali, Nápoles, lajes de basalto trabalhado, muitos corpos percorridos, muitos tempos vividos. A temporalidade faz-se sentir em tudo. O desenho em decalque como forma de preservar os vincos do tempo, uma recolha tanto dos gestos de quem esculpiu os relevos no basalto como quem os colocou, como de quem os pisou. Caminhada solitária a registar documentação do espaço. Escolha detalhada das lajes a decalcar. O processo de desenhar, por deslocado, atraiu muitos napolitanos, sendo que os desenhos foram quase sempre acompanhados por diálogos inusitados. Desde ofertas de chocolate a ofertas de beijos. Desde advertências para não ficar fascinada pela história dessas lajes, desses mundos passados, pois a nada nos conduzem. Forma de me aproximar dos outros, pelo decalcar obstinado do seu mundo, do seu espaço, mesmo que na eminência de vários atropelamentos.






6.5.19

Desenho instrução e performance ( 4 momentos)

Desenho como instrução

URTU

1- acção  perpretada por Fábio Moreira segundo instruções oraculares



desenhar problema que se quer resolver; escolher um local escondido; focar a mente nesse problema e aguardar que passem duas pessoas a conversar; ficar atento ao que dizem pois será a resposta à pergunta; registar; desenhar do lado oposto da folha;  guardar os desenhos escondidos da vista dos outros.

Instrução para estratégia de adivinhação registada de culturas do Crescente Fértil. A concentração mental e o desenho ocultado como agentes criativos e transformadores da realidade.  A crença na presença viva dos Outros, capaz de interagir co-criativamente com a nossa mente como um eco desta instrução que exige uma colaboração entre quem comanda e quem age. Sinto que fomos co-autores desta acção pois apesar do predomínio da palavra, a liberdade de obedecer ou não pertenceu ao Fábio. Aqui pode-se inverter a aparente hierarquia de poderes, que imagina quem instrui como dominador, pois pode-se ocorrer uma inversão de forças pela forma como o outro responde. Gostei de observar o desconforto e capacidade de o superar; a minúcia no pedido corrente de mais informação; e um último momento onde o desenho foi enterrado na terra, fugindo à minha expectativa. 






2- acção realizada a partir de instruções de Fábio Moreira


 


No manual de instruções, consistindo numa caixa com diversa informação sobre a rota do asteróide Sísifo, estava escrito para desenhar uma pedra com o meu peso corporal, procurar carregá-la até ao topo de um edifício, daí atirá-la ao chão e medir o tempo que demorava nesse trajecto.

Sendo que esta instrução comportava um espaço aberto à imaginação, optei por, num pequeno pedaço de papel registar a carvão o relevo de uma pedra existente no jardim de Belas-Artes: um rosto disfarçado entre os paralelos do caminho central. A impressão de um rosto humano captado numa pedra conferiu-lhe a capacidade de projeção necessária para me identificar com o peso daquele desenho. Amassei o papel, dando-lhe a forma ovalada de uma pedra Subi as escadas do pavilhão de escultura e daí deixei tombar a pedra, sendo que demorou 1,5segundos a atingir o chão. Ser agente num espaço não meu, centrado em questões alheias à minha sensibilidade e pesquisa artística, acabou por permear uma sensação de estranheza que contudo foi absorvida e entendida com a curiosidade capaz de compreender o sentido dentro do absurdo da instrução. Esta instrução está intimamente conectada com o trabalho de estúdio de Fábio Moreira, que tenho acompanhado.





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Desenho como instrução ( semana de 29 de Abril a 3 de Maio)

1- Pintar uma cadeira de branco (instrução para Mariana Barrote)




A instrução de Fábio Moreira consistiu em sugerir que me sentasse numa cadeira e, à medida que a fosse pintando de branco, terminar expulsa do seu espaço, pois a tinta fresca impediria a função da mesma de me servir de assento. A acção foi compreendida de forma a ser transposta para a documentação, e aí ser efectivamente realizada. Transferi o acto performativo para a própria documentação, ao mimetizar o acto de pintar, teatralizando para a câmara. Efectuei num programa de computador a tintura da cadeira. Tornou-se irrelevante se a acção foi efectivamente realizada ou não: a documentação afirma-o, mas também não oculta a sua falácia. A imagem documentada possui todas as indicações de ser uma adulteração da imagem que permite pensar que a cadeira foi pintada de branco. O aspecto rude dessa sobreposição com a simplicidade da fotografia a preto e branco, elegida como mais apta à documentação, torna todo o acto satírico. A intenção que desvendo na instrução do Fábio parte desse absurdo que é agir para que o objecto se desvincule da sua própria natureza - romper com o sentido da sua presença.  Neguei a instrução na sua forma mais literal para a subverter sem contudo, a transgredir.






2- Mensagens captadoras de memória (instrução para Fábio Moreira)




Instrução  entregue dia 26 de Maio

Um papel rasgado com um nome e um número de telefone. Promessas de intimidade. Potencialidade de contacto posterior, mas que deixa sempre nas mãos de quem recebe o papel a liberdade de ligar ou não. 
 



Optou-se por enviar por mensagem instruções a ser realizadas no momento da sua leitura. Para tal, foi sugerido ao Fábio que permanecesse com papel e materiais riscadores durante a semana. Estas instruções concentram-se na realização de desenhos de memória, partindo de memórias, de intimidade de momentos, criando no seu total o que imagino o retrato de uma pessoa. Memórias que terão de ser rememoradas e visualizadas em desenho, procurando tanto uma proximidade a elementos íntimos e semelhantes, como nuvens, almofadas, mãos, mas também elementos como desenhar no escuro, remetendo para o processo de desenhar como sempre um exercício de memória, e inextrincável à cegueira. No final do exercício informar que as instruções vivem da memória. O desenhar como um acto de paixão, pelo trazer do toque a memória de mãos, de rostos amados, de violências perpretadas; de sensibilidades corporais. Foi dado a ver o conjunto de desenhos durante a aula de dia 3 de Maio, sendo que fiquei satisfeita com a quase total obediência, havendo contudo momentos  disruptivos interessantes.




 


2.4.19

ensaio visual | Retórica do Acto performativo : 2 | Mariana Barrote

 

 

 

     
    




 farol | górgonas  | visão que cega  |  corpo de luz  |  escudo

ensaio visual | Retórica do Acto performativo : 1 | Mariana Barrote















                         

autorepresentação | interprenetração | mimetismo  |  teia  |  escrita  | ritmo | cadência