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20.12.15

Pedro Cunha



Com o intuito de pensar e questionar a possibilidade de arquivo e documentação de um acto performativo, foi nos requerido a realização de um a acção que fosse desviante em relação ao espaço em que esta se inseria.
Decidi, então como acção desviante, ver televisão numa janela.
Sentei-me durante 24 horas em frente a uma janela como se estivesse a ver televisão. À semelhança da televisão a janela é um vidro onde conseguimos ver imagens. Porem a televisão, e todos os ecrãs que existem agora, transportam-nos para uma realidade de certo modo ficcionada e não real, uma realidade distante, confortável, tolerável, controlável, desviada. A janela por sua vez, transporta-nos para a nossa própria realidade, para o que esta imediatamente á nossa frente, sem controlo, sem distancia, sem filtro. É estranho constatar como é relativamente fácil e até prazeroso, para algumas pessoas, passar o dia a ver televisão, mas é quase insuportável passar 24 horas a olhar para uma janela.
 Com este acto pretendia reflectir sobre o efeito hipnótico que os ecrãs têm sobre as pessoas. É compreensível a admiração por um objecto que consegue projectar um sem fim de imagens e mundos, mas é também inquietante o afastamento que este provoca, da realidade que nos é mais próxima, da realidade que esta do outro lado da janela.


Mais que um questionamento do uso excessivo da tecnologia moderna este acto sugere um questionamento da compreensão e da afirmação do real. Como podemos documentar a realidade? Como podemos documentar uma realidade sem criar uma outra? O que é a realidade? É aquilo que esta por trás da televisão? É aquilo que esta por trás da janela? Ou é aquilo que esta por trás dos nosso olhos? 






29.11.15

Mariana Sales

Realizado por PEDRO CUNHA

I
COM O PAPEL ATRÁS DAS COSTAS, DESENHA ALGUÉM A DAR UMA CAMBALHOTA; 
DESENHA SOBRE ESSE PAPEL.
1)Instrução para realização de um desenho, ou uma série de desenhos







 I, II, III caneta s/papel A4;
Realizado durante a aula. 
Dos principais desafios deste exercício assentava na confusão motora. desenhar um corpo em movimento ao imaginar esse movimento. E segundo, desenha-lo sobre uma folha de papel numa posição algo desconfortável ou pouco habitual.

Pedro Cunha


Instruções realizadas por Mariana Sales Teixeira.


1)        Instrução o para realização de um desenho, ou uma série de desenhos (a ser realizada durante a semana após o seminário);

1-        Deita-te na cama ou num jardim, um sítio calmo.
2-        Pega nos teus materiais de desenho.
3-        Fecha os olhos.
4-        Por fim, desenha o que vês com os olhos fechados.


I instrução


Mariana Sales Teixeira - caneta s/ papel


Esta instrução apenas pretendia que o instruído desenhasse sem o auxílio da visão, sem ter de corresponder o desenho com um objecto real e visível. Apenas era pedido que fosse desenhado o que se vê de olhos fechados, isto é, aquilo que normalmente não se vê, aquilo que está, geralmente, escondido num desenho de representação tradicional, aquilo que tendemos a ter medo de representar ou quando representado deitamos fora.
O que não se vê pode ser tudo, o negro de ter os olhos fechados manchados pelas luzes brancas e pela estranheza de olharmos para a profundidade do vazio, os sonhos que surgem mesmo acordados, as memórias que renascem sob a tela preta do interior das pálpebras, as palavras que nos surgem faladas e escritas, as pessoas, as preocupações, o bater do coração, o som do sangue a correr nos ouvidos, as nuvens a misturarem-se, etc.
Não interessava a “correcção” do desenho apenas interessava a liberdade e descarga explosiva ou não do desenhador.
Desenhar com a preocupação de uma criança.  



2)        Instrução para a realização de outra acção (que não um desenho), a ser executada no espaço da faculdade, durante o seminário.







1-        Pega numa folha e amassa-a como se ‘tivesses zangado.
2-        Alisa a folha como se ‘tivesses arrependido.
3-        Volta a amassar a folha.
4-        Repete tudo até a folha desaparecer.

Nesta segunda instrução era pretendido que o instruído conseguisse fazer desaparecer uma folha de papel.
Este segundo momento está de algum modo relacionado com o primeiro. A folha deveria ser amarrotada com violência como se tivéssemos zangados e posteriormente alisada como se tivéssemos arrependidos. Esta acção parece-me ser algo impossível. Apesar da folha se ir desintegrando ela não desaparece por completo.
Este ódio com que se amarrota um desenho e o arrependimento com que o voltamos a abrir demonstra a relação antagónica que muitas vezes desenvolvemos com o nosso proprio trabalho. 

12.10.15

Pedro Cunha

Pedro Cunha

I  – Acariciar
Derivado da total ausência de ideias daquilo que deveria realizar decidi iniciar o exercício por colocar uma folha branca (sendo esta de certo modo a base para qualquer desenho) no tampo da mesa. Com a folha à minha frente de imediato me apercebi que perante tal objecto repito constantemente a mesma pequena acção – a acção de passar consecutivamente a parte de trás da mão pela folha com o intuito de a limpar, de a alizar, de a sentir, de a proteger, etc. Constatei que este gesto tem um paralelo formal e conceptual com o gesto de acariciar. A preocupação pela preservação da limpeza da folha, a preocupação com a sua protecção contra todas a impurezas que a possam sujar, o cuidado com que, levemente, são “varridas” da folha as impurezas, criam aqui uma aproximação ao acto que acariciar – um gesto que pretende demonstrar carinho, protecção, cuidado, afeição, preocupação por alguém. Um gesto que geralmente não deixa marcas físicas (que neste exercício foram tentadas reproduzir), mas que muito certamente deixa marcas profundas em ambos os intervenientes.
O exercício centrou-se fundamentalmente no acariciar exaustivamente a folha de papel, acariciar do mesmo modo que se acaricia um rosto, um animal ou um bem demasiado precioso. Estas “caricias” eram feitas com as mãos “sujas” de pó de carvão - é curioso realçar a contradição da sujidade que se ia acumulando na folha com o desejo de limpeza de onde surgiu a primeira acção. 

II  – Acariciar/Lavrar
Neste segundo exercício decidi deslocar a acção de acariciar para um “suporte”, por assim dizer, que não sofresse tantas marcas com a insistência e repetição do gesto em questão e que ao mesmo tempo pudesse transportar o verbo acariciar para novas conexões e significados. A terra (um meio com inúmeras recordações infantis) demonstrou-se um suporte amplo na qual poderia criar um interessante paralelo entre a acção de acariciar e muitas outras relacionadas com este meio.

Iniciei o exercício sem qualquer ideia de que acção, para além de acariciar, estaria envolvida naquele pequeno acto de mexer suave e cuidadosamente na terra. Lavrar, ou remexer, ou revolver, ou cultivar, etc foram as acções que me surgiram perante o cenário que fui mentalmente criando. O gesto de acariciar pouco tem de semelhante com o de lavrar, mas quando o primeiro é feito na terra as diferenças parecem-se esfumar e as duas acções aproximam-se. As marcas produzidas, o cuidado com que são feitas, a lentidão da sua produção, a recordação infantil, os conceitos de “mãe” e “mãe-Natureza”, etc - apos ter iniciado o exercício estes paradigmas começaram a conectar as duas acções.  

III – Linear/Marcar/Contornar
Neste terceiro exercício, ao contrário do que havia ocorrido nos anteriores, comecei já com a ideia concreta e construída daquilo que pretendia fazer. Com recursos pertencentes ao domínio da disciplina do Desenho decidi linear/contornar as marcas quem podem ter sido deixadas no meu corpo pela acções anteriores – acariciar e lavrar.