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20.4.22

TRANSFERÊNCIA DE USO exercice 1

 

Exercice 1


Create a drawing through an action - an everyday action that can be moved to the field of drawing and produce marks from experience, choosing a gesture.


word: «sitting»

An action where my entire body is engaged, commonly with an object (chair)





The action of sitting engages my entire body and surfaces of space.

I chose to use my paper as the floor of my drawing, mark the contact points in wich my body transmits my weight to the ground.

I continued by marking other elements that i found relevant during the sitting process,

permetting me to spacialise my movement as a choregraphic carthographie.

I then experemented on different supports and ways of printing and an actions

















 



30.6.20

Trabalho Final: Fluxos urbanos, corpo e materialidade em um espaço-entre

   Entre vários meios de mobilidade de urbana, situa-se um espaço-entre em chão de concreto que questiona a sua própria existência.  
    Qual a identidade do lugar?
    Quais as memórias e rotinas que dão força a esta identidade?     O que fica quando se passa por espaços como este?  
Imagem 1: Esplanada do Terminal Minho e Douro, Campanhã


    Enquanto arquiteto e urbanista, olhava para este espaço sob a lentes de uso e ocupação. O primeiro termo usado para descrever ele era de uma praça seca/árida, onde o concreto toma conta do lugar. A presença/permanência de pessoas foi também uma das principais questões pontuadas sobre este lugar, ou melhor, me refiro a ausência de corpos no espaço, que só o utilizam como um espaço-entre, de passagem para outros lugares da cidade.

“O corpo e seu ambiente produzem-se mutuamente, como formas se hiper-real, como modos de simulação que ultrapassaram e transformaram a realidade e cada um deles a imagem do outro: a cidade é feita e refeita à medida do simulacro do corpo e o corpo, por sua vez, é transformado, ‘tornando cidade’, urbanizado como um corpo reconhecidamente metropolitano.” Elizabeth Growsz (1998) 

O desenho a seguir  foi feito a partir de uma análise dos corpos que se movem pela região próxima da esplanada. Com base no levantamento, a ideia da praça que funciona majoritariamente como um local de passagem fez com o que surgisse umas das ideias de prática projetual na unidade curricular de Desenho e Projecto do MADEP. Nomeado de ato percorrido, esta prática sugere o registro mais permanente dos fluxos efêmeros de pessoas que ocorrem na esplanada. Esta ideia nasce do próprio registro destes fluxos nos desenhos de levantamento do lugar. 

Imagem 2: Desenho dos fluxos
 
O ato percorrido surge da própria de representação de fluxos no espaço e o que conclui neste ato, é que o desenho é o próprio projeto executado na esplanada em larga escala: As ações relativas ao desenho, neste caso os fluxos a partir de linhas, é transportada para o espaço real. Acredito que prática se baseia num deslocamento de um ato performativo, que como explica Almeida (2008), as ações de um determinado campo são separadas do seu contexto original criando um nova ação distinta. Neste exemplo, pode-se citar o ato de TRAÇAR LINHA como uma ação primária do desenho, mas deslocada num outro espaço físico, na qual exige do corpo outros movimentos para a execução da ação.
Imagem 3: Desenho de simulação

Em Desenho e Performatividade, esta ideia do ato percorrido é retomada uma vez que havia o objetivo de continuar a investigação deste espaço no âmbito desta Unidade
Curricular. Retomando à etapa de levantamento do lugar, em um momento foi registrado a praça em dias de chuva, e notou-se a permanência da água no lugar apesar do escoamento. Este levantamento foi um tanto contraditório com o termo “praça seca” utilizado para descrever o local anteriormente.

Portanto, refletindo sobre esta ideia da água como um elemento que deixa a sua marca neste espaço, imaginei iniciar o trabalho final de Desenho e Performatividade utilizando a água como ferramenta de desenho no espaço. Primeiramente, decidi continuar com o “ato percorrido” e deixar o registro do meu percurso com a água, ou seja, fazer o desenho do espaço em que meu corpo percorreu (Imagem 6). Aproveito no mesmo momento também para explorar outras possibilidades de desenho com a água como a delimitação de espaços. Imaginei estas ações como uma forma de levantamento do lugar no próprio lugar, sem o registro posterior em desenhos em papel. O registro a partir da quantidade de água usada no concreto desaparece em menos de minutos e retoma o espaço ao estado que estava antes do desenho.

Imagem 4: Ato percorrido com água 

Este exercício estendeu o questionamento com a água fez refletir sobre a questão da corporalidade e da minha própria identidade no espaço e fez com que me questionasse: Como a água imprime minha identidade no espaço?
Como Kaprow (1986) reflete sobre as ações performativas do cotidiano que são executadas de maneira automatizadas, mesmo que não consideradas como arte, mas pensadas como tal passam a carregar o dia-a-dia com poder metafórico. Assim, refleti sobre as ações do meu dia-a-dia em que a água está em contato direto com o meu corpo. Ao assumir que a água enquanto material é capaz de assumir a forma do corpo que a contém, ela também é capaz de contornar a forma deste mesmo corpo. Neste sentido,
procurei coletar a água que passava pelo meu corpo imaginando-a como um meio em que carrega a impressão do meu corpo.

Imagem 5: Registros de um banho para encher um recipiente 

Esta água, armazenada em um recipiente é posteriormente congelada e levada para a esplanada do Terminal Minho e Douro, na qual a permanência do gelo que carrega a forma do meu corpo começa a derreter e desenhar a minha presença no espaço

Imagem 6: Registro do corpo em gelo num banco da esplanada

Outro meio que encontrei de explorar a forma do meu corpo a partir a água é no ato de se enxugar. O material que utilizamos para enxugar não somente absorve a água do nosso corpo, mas registra a identidade dele na sua própria materialidade. Neste exercício, uma folha de tamanho considerável para o meu corpo foi utilizada para secá-lo e dessa forma absorver as impressões corpóreas, tanto minha quanto da água. Aqui, evidentemente a água manifesta seu caráter efêmero enquanto líquido e faz com que seu corpo retorne ao ar e sua interferência/marca são as cicatrizes que deixa no papel, além daquela impressa pela força das mãos ao fazer atrito entre a folha e o meu corpo.

Imagem 7: Registros do ato de secar em papel
Imagem 8: Registros da secagem do papel

BIBLIOGRAFIA:
ALMEIDA, Paulo Luís (2008). Actos fingidos: aspectos da dimensão performativa do desenho (texto policopiado). Comunicação apresentada no ciclo Lições do Desenho. Lisboa: Espaços do Desenho.
AUGÉ, Marc [1935] (2012). Não-lugares: introdução a uma antropologia da sobremodernidade (Miguel Serra Pereira, Trad) (3ª ed.). Lisboa: Livraria Letra Livre.
GROSZ, Elizabath (1998). Bodies-cities. Places through the body, 42-51.
KAPROW, Allan (1986 [2003]). “Art Which Can’t Be Art”.In Essays on the Blurring of Art: University of California Press, pp. 219-222.
SCHECHNER, Richard. (1985). “Restoration of Behavior”. In Betwenn Theater and Anthropology. Philadephia: University of Pennsylvania Press, pp. 35-116.

28.1.17

Seminário 2: Transferência Imagem-Acto (Parte 1)

PARTE 1
Instrução para realização de um desenho, ou uma série de desenhos (a ser realizada durante a semana após o seminário).

Instruções de Gabriela César
Realização de Daniela Lino

O caderno amarelo

O dia 10 de Setembro é tido desde 2003 pela Organização Mundial da Saúde e IASP (International Association for Suicide Prevention) como o Dia Internacional da Prevenção ao Suicídio. A ideia é mobilizar agentes de saúde governamentais, ONGs e a sociedade num geral para aumentar a consciência da prevenção do suicídio. Tendo em vista a mobilização mundial para a visibilidade desta causa, a associação sem fins lucrativos CVV (Centro de Valorização da Vida) organiza desde 2014 um mês inteiro de atividades dedicadas a ganhar exposição da causa. Grande parte das ações da CVV resulta no acolhimento daqueles que precisam conversar ou que têm pensamentos suicidas por meio do atendimento com voluntários.

A depressão, segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), é uma das maiores causas do suicídio (World Health Organization, 2017). Conforme dados da OMS, a doença foi escolhida para a campanha do Dia Mundial da Saúde de 2017. Uma das ações escolhidas para incentivar a prevenção e tratamento da depressão é a divulgação junto à comunidade e à imprensa de uma campanha que incentiva que se fale mais sobre a depressão, utilizando a # nas redes sociais "Let's Talk". A ideia é quebrar o estigma sobre a depressão e fazer com que as pessoas que buscam ajuda consigam tratamento adequado, ou que sua família/amigos consigam sinalizar a tempo os sintomas de depressão nos indivíduos afetados. O cerne da campanha é utilizar depoimentos reais para que mais pessoas busquem ajuda para a depressão:
At the core of the campaign is the importance of talking about depression as a vital component of recovery. The stigma surrounding mental illness, including depression, remains a barrier to people seeking help throughout the world.
Talking about depression, whether with a family member, friend or medical professional; in larger groups, for example in schools, the workplace and social settings; or in the public domain, in the news media, blogs or on social media, helps break down this stigma, ultimately leading to more people seeking help. (World Health Organization, 2017b)
No âmbito de dar maior visibilidade à causa da prevenção do suicídio, e por calhar deste trabalho ter acontecido em Setembro, pensei em como o desenho poderia ser uma ferramenta para conectar quem o realiza à necessidade de externar sentimentos depressivos, combater este tipo de carga emocional sem ter de utilizar da linguagem escrita ou falada. Neste ponto o trabalho a ser realizado corrobora a ideia de Jane Blocker (2004) de que a dor tem a capacidade de desintegrar a linguagem:

For example, when Scarry writes that "physical pain has no voice", what she describes is the subordination of the body to the language. I would argue that it does indeed have a voice, but one that language does not recognize. (Blocker, 2004, p. 36)

A ideia do trabalho a seguir — O caderno amarelo — é utilizar a dor manifestada como parte integrante da estética, sem a intenção de pacificar ou ser condescendente com a condição apresentada. A questão é: como fazer isto, utilizando o desenho? Se este tipo de sentimento puder ser transformado em uma metodologia que integre a mente e o corpo, como sugere Blocker (idem), como fazê-lo de maneira associada ao desenho?

Minha solução para este problema foi utilizar o desenho na situação em que é mais pessoal e íntimo: o caderno de desenho ou diário gráfico. Criei um pequeno livro de desenhos, amarelo, cujos desenhos devem ser realizados por meio de instruções. Utilizo o desenho de instrução como ferramenta de construção ("Desenha um pinguim...") e de acesso a este sentimento de "querer desistir" mencionados pelo CVV e pela OMS — aqui, o desenho é o registro de uma volta para chegar a um assunto. Falar em (desenhar sobre) pinguins não é o mesmo que mencionar a palavra-tabu "depressão", ou pior: suicídio. Mas é uma maneira de levantar a questão. É uma maneira de iniciar o caderno amarelo.


(Página 2 em branco)








No recado da página 8 (relacionado à instrução da página 4: "Desenha um urso polar para cada familiar, amigo ou parceiro que ama você."), tive um cuidado especial — e se a pessoa não se sentisse amada? Isso afetaria o número de ursos que ela desenharia, e o desenho final da página 7... Pois basta um urso polar (FONTE: WIKIPEDIA) para dar cabo aos muitos pinguins que por acaso habitassem a página 3. Decidi que, se meu leitor/participante não possuísse nenhum urso polar com quem pudesse contar, poderia eu mesma assumir esse posto:

Recado que se acessa ao aceder a página tinyurl.com/recadogabi 
Um desenho antigo para dizer: você não está só. Quer dizer — estamos todos sós no universo, mas juntos em nossa solidão, e juntos na dificílima tarefa de buscar um significado para tudo. Não desista, eu estou do seu lado. Sempre estive. Sempre estarei. Sou a pessimista irracionalmente crente que tudo deve continuar, apesar de todos os pesares. Se está difícil, chore. Se precisa de ajuda, peça. Se quiser desistir, encaixe sua cabeça no meu colo e se entregue, amanhã é um novo dia.
Estamos sós, mas estamos juntos em nossa solidão. Meu abraço vai estar contigo.
Novamente: não se trata aqui de romantizar o suicídio. De dizer que o amor vencerá etc., até porque esta mensagem é demasiada vaga para quem de fato planeja (ou considera) tirar a própria vida. Mas de instrumentalizar a dor. De transformar sua presença em nossas vidas como uma força motora que, mesmo que persistente, em uma linguagem somática (Blocker, 2014).

Por fim, a realização do último desenho, na página 7 (“Desenha o encontro dos teus pinguins (pág. 3) e dos teus ursos polares (pág. 4)”) implica a retomada de desenhos realizados anteriormente no caderno, e na projeção da imaginação de quem realiza o desenho. É algo que, como destaca Altshuler (2001) sobre os poemas de Yoko Ono em Grapefruit, só existe na imaginação do desenhador. É um trabalho de possibilidade, de visualização: a ideia de confrontar a depressão, a visualização de que é necessário combatê-la é a idealização do desenho "Pinguins VS Ursos" da página 7. A mera sugestão de que isso é possível (e a instrução que leva o desenhador a imaginar a situação) é a minha contribuição para o Setembro Amarelo e a minha instrução de desenho para finalizar o Caderno Amarelo.


Bibliografia / Sites consultados

Altshuler, Bruce. “Art by instruction and the Pre-History of do-it”. In: DO IT at e-flux. Disponível em: <projects.e-flux.com/do_it/notes/notes.html>. 1998-2001. Acesso em: Jan. 2017
Bismarck, Mario. "Pentimento ou o desenho abs-ceno ou o elogio do erro (2ª parte)". In: Psiax: Estudos e Reflexões sobre Desenho e Imagem. Porto, 2010.
BLOCKER, Jane. What the Body Cost: Desire, History and Performance. Minneapolis: University of Minnesota Press. 2004. p. 32-52.
CVV. Suicídio. Disponível em: <www.cvv.org.br/conheca-mais-suicidio.php>.
IASP (International Association for Suicide Prevention). World Suicide Prevention Day - 10th September 2003 — Suicide can be Prevented. Disponível em: <www.iasp.info>. Publicado em Set. 2003. Acesso em Jan. 2017.
Setembro Amarelo. História. Disponível em: <setembroamarelo.org.br/#sec-setembro>. Acesso em Jan. 2017.
World Health Organization. World Health Day 2017. Disponível em: <www.who.int/campaigns/world-health-day/2017/campaign-essentials/en/>. Acesso em: Jan. 2017a.
World Health Organization. World Health Day 2017. Depression. Let’s talk. Campaign essentials. Disponível em: <http://www.who.int/campaigns/world-health-day/2017/toolkit.pdf?ua=1>. Acesso em: Jan. 2017b.
WSPD Australia. About World Suicide Prevention Day. Disponível em: <wspd.org.au/about>. Acesso em Jan. 2017.

15.12.16

Ocupar o espaço com memórias 



Pergunto a mim mesmo se uma recordação é algo que se tem ou algo que se perdeu. - Woody Allen, guião de Uma Outra Mulher  
Podemos alterar, lenta, paciente e perseverantemente, dados, pequenos pormenores, matizes de aparência insignificante, moldando a recordação do sucedido aos nossos sentimentos, alheios à verdade ou à razão, para conseguir, no final, que aquilo a ficar registado na memória corresponda a uma versão satisfatória, falsa ou totalmente verdadeira mas ajustada aos nossos desejos (....) Podemos também, por iniciativa própria ou induzidos por outros, criar memórias falsas que, passado algum tempo, se torna indistinguíveis das verdadeiras e resistirão incólumes a qualquer tentativa de serem desmascaradas.  - Miguelanxo Prado, Ardalén 


Modificar, perder, criar a falácias... 

   Inicialmente propôs-me a procurar informações sobre a minha casa, descobri as suas metamorfoses, os diversos planos, e observei que no final ela encontra-se diferente ao planeado, pura falácia, ou fonte para criação de algo novo. Assim o conjunto de documentos, recolhidos apresentou-se com um exemplo para refletir sobre a tentativa de transpor um acto performativo para um objecto posterior, apesar no papel ser apresentado um esquema preciso ele foi alterado por quem o interpretou depois, e a realização do objecto, neste caso uma casa, não segue fielmente o documentado, a exteriorização da informação é modificada conforme o tempo, o espaço, e a pessoa que o realiza ou simplesmente observa (espectador - Auslander). 


   Documento não é uma a cópia do realizado, é um elemento importante para manutenção visível das transições das possíveis acções e pensamentos, uma ferramenta que permite dar a ver algum do passado, deste modo o documento não é regra, um plano a seguir criteriosamente.  
Interpretar. Modificar. Levou-me a divagar pelo verbo transportar:  


verbo transitivo

1. Levar de um lugar para outro.

2. Fazer passar de um para outro lugar.

3. Passar a outrem por cedência.

4. Mudarinverter.

 in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008 2013, https://www.priberam.pt/dlpo/transportar [consultado em 15-12-2016].

     Como seres de passagem, somos eternos recoletores de tudo o que nos aparecer à frente dos nossos corpos, mas não mantemos esses elemento no seu estado inicial, as acções que aplicamos nos elementos alteram-no, e quando o movimentamos ou aproximamos de outros elementos criam-se novas relações. 

     Perante o espaço, a minha casa, e os seus elementos tentei pensar sobre o que eles me levavam a fazer: as telhas e a lenha cortada que deveriam ser empilhadas, as folhas do milho que deveriam de ser arrancadas. Mas essas tarefas com a sua regular realização, interiorização do movimento, ou por um tremenda curiosidade, permitiam por vezes desligar dos movimentos e dar atenção a propriedade do material, como por exemplo a textura, o peso e a cor.
  
Modificar o que nunca vai existir 





Lembrar, sentir


Madeira, o peso do corpo

Cortar o milho, sentir as folhas e o movimento da tesoura. 

Impressão da textura, o papel a tatear a folha do milho
  
Tons das telhas

Vídeo sobre a realização manual de uma telha - https://youtu.be/fLCp7Ng7zs0
Transformação num quadrado 



Levar o que é "meu" 

    No transporte de Vilar de Mouros para o Porto, dos objectos, actos, memórias de um lar, tornei algo estranho um pouco mais familiar, ao invadir o espaço com algo que é "meu".  
   Desde o inicio da minha vinda para o Porto, a procura de espaços verdes era uma tentativa de me transportar para a proteção, e aconchego de casa. Deste modo, o jardim da Faculdade é um local com o qual criei uma empatia, e nesta proposta tentei ve-lo não como elemento que me liga a outro local mentalmente, mas sim como um recipiente do que possuo, mudar a minha relação com esse espaço, impor a minha presença, ser a autoridade de mudança violenta, e brincar com o "fogo".  
    Levar uma telha, pedaços de madeira, futuramente objectos de palha... objectos resultados de um trabalho manual, de contacto com elementos naturais, para a construção de um lar, e que perante o ensinamento do conto dos três porquinhos,  é melhor construir casa de tijolos - telhas,  apesar de ser mais trabalhoso a sua construção, ficamos protegidos do lobo mau.   
    Contra o abandono dos objectos, estes não foram simplesmente colocados no chão, eles encontram-se no interior de um quadrado... linhas que fazem um quadrado, limpo de folhagens, onde marco o meu territorio, como um animal (i)racional, o meu espaço naquele jardim que poucos sabem os seus recantos. 

Espaço, movimento e presença
 


     Ir e ficar


Vídeo sobre limpar o espaço - https://youtu.be/wF49zaOlaIU




Vídeo sobre limitar o espaço - https://youtu.be/Zkj9s1IXLFs - https://youtu.be/mr92JWr4jeU







Vídeo sobre o tornar "meu" - https://youtu.be/-q4PT9Ifyco


13.12.16



Toque erótico - Workshop 2

O “objetivo” deste trabalho é jogar com a existência de uma idéia de performidade usando uma ação instruída. Nesse contexto, pensei em criar uma antítese do ato onde a própria instrução desconstrói a performidade, gerando assim um ciclo de desconstrução fomentado pela tentativa de execução. Baseado nessa idéia, era necessário que fosse criada uma instrução onde sua execução, exata ou não, iria de oposição ao que se queria propor ao ato. Minha parceira de trabalho foi a Gabi.

“Toque de forma erótica em uma parte do seu corpo que não alcança com as mãos.”

Sabendo que o toque é o estado onde a mão entra em contato com outro corpo, descreve-se uma ação onde existe uma impossibilidade conceitual. Pedi para a Gabi tocar numa parte onde não pode alcançar com as mãos. Ou seja, analisando a própria idéia de toque e descrevendo a sua impossibilidade, se cria um fluxo infinito de tentativas onde a possibilidade de concretização inviabiliza o ato. Usei um termo fetichista como elemento de distração, o erotismo como termo desviante da plot principal tira o foco do ato propriamente dito deixando sua concretização mais complexa e dificultosa. A instrução é um mero elemento de guia, contudo parte do seu significado está além de sua própria execução, cabendo assim, uma não execução da instrução. Quebrando o ciclo infinito de ação e sua impossibilidade.
Gabi optou por não agir. Acredito que pela impossibilidade do ato a reação de simplesmente ficar estática reflete bem a sugestão do ato. Interpreto a inércia da Gabi como o reflexo de uma personalidade que busca fugir desse ciclo.
Quando pensei nessa performance pensei na busca infinita humana por algo apesar das constantes distrações e na finalidade do interesse ao conquistar determinado objetivo.

“Faça um desenho de como seria o toque da ação proposta”
Baseado na ação, pedi pela construção de um desenho fundamentado no que se pensa sobre o ato anterior. Uma interpretação livre da ação em si.

João Paulo Freire