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20.12.14

Desenho como documento - Catarina Jordão

Transferência de Espaço

Com esta acção a ideia seria invadir um espaço de forma inadequada e de forma a criar uma espécie de paradoxo, transferindo o espaço de dormir para o exterior e para uma altura desconfortável. 
Transferida a ideia de cama e de conforto do quarto para um muro de cerca de sete metros, pretendia criar a sensação de expectativa, conforto/desconforto e ansiedade. O objectivo principal seria criar um paralelismo entre a própria altura do metro e o perigo de cair com o insegurança que se pode ter no sono, com os pesadelos e as insónias.
Ao tentar dormir num muro de semelhante altura, o conforto e a segurança são praticamente impossíveis, mas para confrontar essa mesma sensação de instabilidade, o tapa-olho vem trazer conforto e confiança no espaço para uma noite de sono. Mesmo se fosse um espaço confortável, a ideia da altura permanece na memória e impossibilita o descanso. 
Com as imagens, o espectador poderá ter acesso a essa mesma sensação de conforto que transmito, confrontada com a altura do muro. 






8.12.14

Realização do Desenho - Catarina Jordão

Segundo a instrução do Jorge, e podendo esta ser adaptada aos conceitos do workshop de Spectral Print, por Diogo Tudela, tive em atenção algumas das noções compreendidas até então, como o ritmo e o tempo. Desta maneira criei diferentes composições segundo as regras apresentadas e posteriormente inverti as cores para, através do programa digital, converter as mesmas para a versão sonora.





7.12.14

Desenho de Instrução - Catarina Jordão

Instrução para realização de uma acção

Com esta instrução, a minha intenção era reflectir sobre a noção de percurso premeditado ou previamente limitado.
A ideia geral era, seguindo o percurso natural do cavalo no xadrez, que quem seguisse a instrução fosse incitado a seguir em frente segundo determinadas limitações oferecidas por uma espécie passada coreográfica, três passos para a frentes e dois laterais, reflectindo sobre os obstáculos e a melhor opção para os contornar.
Quem realizou a instrução, neste caso o Professor Paulo Almeida, acabou por interpretar de forma diferente as regras estipuladas pela instrução, alterando a sua direcção conforme necessário. Contudo, criou ligações interessantes com a quadricula do chão e estabeleceu relações espaciais com as figuras com que se ia cruzando, reflectindo a ideia de canto em paralelismo com a letra "L" sugerida na instrução. 
Com isto, sendo que a ideia geral a noção de caminho contínuo com obstáculos e limitações, considero que mesmo que desviante, a interpretação acabou por fazer sentido por lidar com outro tipo de percurso, adaptando as mesmas limitações a uma nova abordagem de seguir esse mesmo destino.





Instrução para realização de um desenho

A principal intenção desta instrução era reflectir o desenho enquanto hábito diário, sugerindo que se desenhe todos os dias o almoço, realçando uma ligação de semelhança com a noção de refeição como se também nos alimentássemos do próprio acto de desenhar.
Assim, ainda se relacionam noções como a repetição de um acto e de acção de reforço da própria memória que é estimulada com uma espécie de memorando.



1.11.14

Catarina Jordão


A partir de transferências–de–uso e da possível reflexão do desenho como acção performativa, foram sugeridos três exercícios que ensaiem essa relação entre o corpo, a acção e o espaço.
Assim como refere Allan Kaprow, ao reflectir sobre as actividades do quotidiano como lavar os dentes, existem várias acções ao longo do dia, todos os dias, às quais não prestamos atenção. Com isto, transferi para o papel aquilo que seria uma lavagem de cabelo. Com papel e tinta preta e recorrendo aos mesmos gestos presentes no processo, massajei o suporte como se de uma cabeça se tratasse. O resultado final acabou por se aproximar da silhueta de uma cabeça, com base nos movimentos que eu utilizo para lavar a mesma. Penso que poderia ter levado esta minha performance mais longe, com gestos mais claros e significativos.





Com base nas aulas anteriores onde foram apresentados trabalhos como o de Janine Antoni, que recorria a acções do quotidiano e as explorava exaustivamente, quase que gastando o movimento e esgotando o gesto, para a segunda actividade apropriei-me da ideia de comichão. Tendo como suporte uma parede velha, desgastada pelo tempo, com a tinta a escamar como pele seca, transferi os gestos de coçar a própria pele para a parede, com gestos contínuos por toda a superfície afectada, tornando-me assim a comichão e a salvação da parede. O objectivo era transpor aqueles momentos de ansiedade em que o corpo por vezes se antecipa à mente e se manifesta com pequenos e insaciáveis sintomas; visava transmitir a sensação de desgaste físico, de nervosismo, cansaço e sobretudo, insatisfação.



Para o ultimo exercício fiz algo tão simples quanto unir os pontos do meu corpo, criando uma linha irregular, da ponta de um braço à ponta do outro. O objectivo era transferir uma acção do desenho para fora do papel e assim usei o meu corpo como suporte, sendo ele também o elo de ligação entre este e o material.